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Sem trabalhar há 16 meses, desembargadores acumulam R$ 627 mil em salários

Por Brasil no Centro Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 11:56 2 min de leitura
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Sem trabalhar há 16 meses, desembargadores acumulam R$ 627 mil em salários

Quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão, afastados de suas funções desde outubro de 2024, receberam juntos R$ 627 mil líquidos em salários entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo dados oficiais da folha de pagamento do tribunal. Os magistrados são investigados por suspeita de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais e liberação irregular de alvarás.

Os desembargadores Antonio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Marcelino Everton Chaves e Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República em julho de 2025 no âmbito da Operação 18 Minutos, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura a suposta manipulação de processos judiciais com objetivo de obtenção de vantagens financeiras.

Mesmo afastados das atividades, os magistrados continuaram recebendo remuneração, conforme previsto nas regras aplicáveis a servidores e membros do Judiciário em determinadas situações administrativas e disciplinares. Em dezembro de 2025, os valores líquidos pagos individualmente chegaram a ultrapassar R$ 80 mil, sendo o maior contracheque registrado em R$ 87.137,82.

Uma das magistradas investigadas, Nelma Sarney, está em regime de disponibilidade por decisão do Conselho Nacional de Justiça, medida disciplinar que prevê afastamento temporário com remuneração proporcional ao tempo de serviço. Já Marcelino Everton Chaves havia se aposentado antes da deflagração da operação.

A Operação 18 Minutos investiga suspeitas de liberação irregular de recursos por meio de decisões judiciais com tramitação considerada atípica. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que processos tenham sido conduzidos de forma acelerada para permitir o levantamento de valores milionários. A Procuradoria-Geral da República apura possível desvio de aproximadamente R$ 50 milhões relacionados a alvarás expedidos em ações sob investigação.

Os magistrados negam envolvimento em irregularidades. O caso segue em apuração nas instâncias competentes, sem decisão judicial definitiva até o momento.