Senadora Eliziane Gama denuncia articulação para tirá-la da disputa pela reeleição no Maranhão

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) elevou o tom nesta semana ao afirmar, da tribuna do Senado, que está sendo alvo de uma articulação política para ser retirada da disputa pela reeleição no Maranhão. A declaração expõe o acirramento das movimentações para 2026 no estado e revela o tamanho da disputa por espaço nas composições majoritárias, num cenário cada vez mais pressionado por interesses partidários e alianças cruzadas.

Sem citar nomes diretamente em seu pronunciamento, Eliziane relatou a existência de um movimento organizado para inviabilizar sua permanência na corrida por uma das vagas ao Senado. Nos bastidores, aliados da parlamentar apontam que a ofensiva estaria ligada ao entorno político do deputado estadual Fernando Braide (Solidariedade), irmão do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que é tratado como um dos nomes centrais da disputa pelo governo maranhense.

A tensão cresceu após declarações dadas no ambiente político local sobre a necessidade de acomodar outras forças partidárias na chapa para o Senado. Na prática, a leitura feita por interlocutores da senadora é a de que essas falas abriram espaço para uma tentativa de exclusão de seu nome da composição que está sendo desenhada para 2026.

O episódio ocorre em um momento de rearranjo no tabuleiro político do Maranhão. Eduardo Braide é apontado como potencial candidato ao governo estadual, enquanto Orleans Brandão (MDB) também aparece no centro das articulações, impulsionado pelo grupo político ligado ao governador Carlos Brandão. Ao mesmo tempo, o vice-governador Felipe Camarão (PT) surge como outro nome relevante nesse xadrez, ampliando a pressão sobre a montagem das chapas e tornando a disputa por espaço ainda mais sensível.

Dentro desse ambiente, a manifestação pública de Eliziane tem peso político porque sinaliza que a senadora não pretende aceitar passivamente qualquer tentativa de isolamento. Segundo pessoas próximas, ela tem afirmado contar com a garantia do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de que será candidata à reeleição. Ainda assim, a estratégia inicial é buscar uma solução dentro do próprio estado, evitando que a crise local escale de imediato para a direção nacional do partido.

A fala da senadora também revela um dado importante da pré-campanha maranhense. A disputa de 2026 já deixou de ser apenas uma conversa de bastidor e passou a produzir embates públicos, com recados diretos e pressão aberta sobre a formação das alianças. Em um estado historicamente marcado por composições pragmáticas e disputas intensas entre grupos regionais, a corrida pelo Senado tende a ser um dos pontos mais sensíveis do processo eleitoral.

Ao tornar pública a denúncia de uma conspiração contra sua candidatura, Eliziane busca não apenas se defender politicamente, mas também marcar posição diante do eleitorado e do próprio partido. O gesto funciona como aviso de que a senadora pretende permanecer no jogo e disputar espaço até o fim, num momento em que o Maranhão vive uma reacomodação ampla de forças e interesses para 2026.