Romper a polarização ‘não é fácil, mas não é improvável’, diz Michel Temer

O ex-presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira, 1º de junho, que a eleição presidencial de 2026 ainda pode ter mudanças relevantes, apesar da força da polarização entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Poder360 durante o 14º Fórum de Lisboa, Temer disse que romper esse cenário “não é fácil”, mas avaliou que a construção de uma alternativa competitiva “não é improvável”.

Michel Temer (MDB) afirmou que o quadro eleitoral ainda está em aberto e que pesquisas divulgadas neste momento não podem ser tratadas como resultado definitivo. Segundo ele, “a pesquisa de hoje não é a pesquisa de amanhã”, em uma referência ao fato de que a campanha oficial ainda não começou e de que novas movimentações políticas podem alterar o comportamento do eleitorado.

O ex-presidente disse que será preciso aguardar pelo menos até meados de julho, período de convenções e de definição mais clara das candidaturas, para avaliar com maior precisão o peso de cada nome na disputa. “Temos muito pela frente ainda, muita coisa pode surgir”, declarou.

A fala de Temer ocorre em um momento em que o debate nacional segue dominado por dois polos. De um lado, Lula tenta sustentar a força eleitoral do PT mesmo diante de críticas à economia, ao aumento de gastos e à dificuldade do governo em entregar resultados concretos. De outro, o bolsonarismo tenta se reorganizar em torno de Flávio Bolsonaro, mantendo a retórica de enfrentamento que marcou os últimos anos.

Temer evitou cravar se a alternativa à polarização virá de uma terceira via ou de outro tipo de composição política. Para ele, mais importante do que o rótulo é a apresentação de propostas. “Acho que é fundamental, e isso é importante, é que haja projetos que os candidatos apresentem”, afirmou.

O ex-presidente também defendeu que o próximo chefe do Executivo, logo no início do mandato, convoque representantes do Judiciário, do Legislativo e da oposição para uma conversa institucional. A ideia, segundo Temer, seria construir um “pacto republicano” capaz de reduzir o ambiente de tensão política no Brasil.

Na avaliação do ex-presidente, uma iniciativa desse tipo poderia ter efeito positivo tanto dentro quanto fora do país. “Isso teria uma repercussão interna extremamente favorável e externamente mais favorável ainda”, disse.

O discurso de Temer reforça uma preocupação crescente entre setores do centro político, que veem a eleição de 2026 como uma oportunidade para recolocar propostas, responsabilidade institucional e diálogo no centro da disputa. A leitura é que o país continua preso a uma dinâmica de confronto permanente, na qual petismo e bolsonarismo se alimentam politicamente enquanto temas concretos acabam empurrados para segundo plano.

Durante a entrevista, Temer também comentou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O ex-presidente afirmou que a medida não afeta, por si só, a soberania brasileira, mas ponderou que qualquer ação prática deve ser discutida com as autoridades nacionais. Para ele, o crime organizado se internacionalizou e exige cooperação entre países, desde que não haja intervenção direta em assuntos internos do Brasil.

O 14º Fórum de Lisboa ocorre entre os dias 1º e 3 de junho na Universidade de Lisboa, com o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. O evento reúne autoridades, empresários, juristas e representantes do setor público e privado para discutir questões institucionais e econômicas de impacto global.

A declaração de Temer adiciona peso ao debate sobre o espaço eleitoral fora dos extremos. Em uma disputa ainda marcada pela dianteira de Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, a fala do ex-presidente serve como recado de que há tempo para reorganização política, desde que candidaturas alternativas consigam apresentar projeto, articulação e densidade nacional.

Para o campo do centro democrático, a mensagem é direta: romper a polarização exige mais do que vontade. Exige capacidade de união, programa consistente, liderança política e compromisso com a estabilidade institucional. Sem isso, a eleição tende a continuar capturada por uma disputa entre o desgaste do governo petista e a tentativa de retorno do bolsonarismo ao poder.

Filho de Mário Covas declara apoio a pré-candidatura de Aécio a presidência

O vice-presidente nacional do PSDB, Mário Covas Neto, defendeu a construção de uma candidatura presidencial do partido em 2026 e apontou o deputado federal Aécio Neves como um nome capaz de recolocar a legenda no centro do debate nacional. A declaração foi dada durante agenda tucana em Teresina, no Piauí, em evento que marcou o lançamento das pré-candidaturas de Dra. Lúcia Santos ao Governo do Estado e de Jorge Lopes ao Senado Federal.

Filho do ex-governador de São Paulo Mário Covas, uma das principais referências históricas do PSDB, Covas Neto afirmou que o partido vive um novo momento e pode voltar a apresentar ao país uma alternativa fora da polarização que tem dominado as últimas eleições presidenciais. Para ele, o eleitor brasileiro precisa olhar para projetos, trajetórias e capacidade de gestão, em vez de ficar preso a uma disputa marcada por extremos políticos.

“Acho que o PSDB vive um outro momento, com a possibilidade de ter uma candidatura presidencial. Com o PSDB, será uma alternativa a essa polarização, que na verdade não ajuda ninguém. Está na hora de o eleitor procurar a melhor alternativa para si e votar no melhor projeto”, afirmou Covas Neto.

Ao citar a possível candidatura tucana ao Palácio do Planalto, o dirigente destacou a experiência política de Aécio Neves. Segundo ele, o parlamentar reúne passagem por cargos executivos e legislativos importantes, além de ter presidido o partido em momentos decisivos da política nacional.

“O PSDB pode apresentar alguém que foi governador de Minas Gerais, senador, deputado e presidente de partido. É uma pessoa que conhece profundamente a política e pode ser uma alternativa real para quem deseja uma mudança e quer superar a polarização”, declarou.

Aécio Neves (PSDB-MG) tem sido citado internamente como uma das opções do partido para disputar a Presidência da República em 2026. A movimentação ocorre em um cenário de desgaste do governo Lula e de busca por uma candidatura capaz de dialogar com eleitores que rejeitam tanto o projeto petista quanto a direita bolsonarista.

A fala de Mário Covas Neto também tem peso simbólico dentro do partido. Como herdeiro político de uma das figuras mais respeitadas da social-democracia brasileira, ele reforça a tentativa do PSDB de recuperar protagonismo nacional com uma mensagem de equilíbrio, responsabilidade pública e oposição democrática ao governo federal.

No Piauí, o evento tucano fez parte da estratégia de reorganização da legenda nos estados. A médica Dra. Lúcia Santos foi apresentada como pré-candidata ao Governo do Estado, enquanto Jorge Lopes, presidente estadual do PSDB, disputará uma vaga ao Senado. A agenda reuniu dirigentes nacionais, lideranças locais, filiados e apoiadores, em um movimento que busca fortalecer a presença do partido no Nordeste.

Com a defesa pública de Covas Neto, a possível candidatura de Aécio ganha mais um gesto de apoio dentro da legenda. O movimento indica que o PSDB pretende disputar espaço em 2026 não apenas como coadjuvante, mas como uma força capaz de apresentar uma alternativa ao ciclo de radicalização que marcou a política brasileira nos últimos anos.

Capitão Wagner (UB) tem 46,9% e Eunício (MDB) 33,2% para o Senado no Ceará, diz pesquisa

A corrida por uma vaga no Senado Federal pelo Ceará começa a ganhar contornos mais definidos. Pesquisa divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas indica Capitão Wagner (União Brasil) na liderança das intenções de voto, com 46,9%. Em segundo lugar aparece o ex-senador Eunício Oliveira (MDB), com 33,2%.

O levantamento também testou outros nomes na disputa. A deputada federal Luizianne Lins (PT) registra 26,9%, enquanto Júnior Mano (PSB) soma 13,9%. Alcides Fernandes (PL) aparece com 13,6%, e General Theophilo (Novo) tem 7,1% das intenções de voto.

Entre os entrevistados, 11,4% declararam intenção de votar em branco ou anular o voto, e 6,2% afirmaram não saber ou preferiram não responder.

A pesquisa foi realizada com 1.500 eleitores em 67 municípios cearenses. Segundo o instituto, a amostra é representativa do Estado, com grau de confiança de 95% e margem de erro estimada em 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos nos resultados gerais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-08478/2026.

Os números revelam um cenário competitivo na disputa pelo Senado no Ceará, com vantagem consistente para o ex-deputado federal no momento da coleta dos dados. A tendência é de intensificação das articulações políticas à medida que o calendário eleitoral avança e as candidaturas se consolidam.

Ciro Gomes (PSDB) tem 44,5% e Elmano (PT) 35,3% para o governo do Ceará, diz pesquisa

Levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas aponta Ciro Gomes (PSDB) na liderança da disputa pelo governo do Ceará com 44,5% das intenções de voto. O atual governador Elmano de Freitas (PT) aparece em segundo lugar, com 35,3%, configurando uma diferença superior a nove pontos percentuais entre os dois principais concorrentes.

A pesquisa também mediu o desempenho de outros nomes apresentados ao eleitorado. O senador Eduardo Girão (Novo) registra 7%, enquanto Professor Jarir Pereira (PSOL) soma 1,9%. Entre os entrevistados, 4,7% declararam não saber ou preferiram não opinar, e 6,5% afirmaram intenção de votar em branco ou anular o voto.

O levantamento foi realizado com 1.500 eleitores em 67 municípios cearenses. De acordo com o instituto, a amostra é representativa do Estado e apresenta grau de confiança de 95%, com margem de erro estimada em 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos nos resultados gerais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-08478/2026.

Os números indicam um cenário competitivo na corrida estadual, com vantagem consolidada para o ex-ministro e ex-governador no momento da coleta dos dados. A disputa pelo Palácio da Abolição ganha intensidade à medida que o calendário eleitoral avança e as pré-candidaturas se consolidam no Ceará.