A disputa pelo governo do Rio Grande do Sul ganhou um novo elemento de tensão com a revelação de uma denúncia familiar envolvendo a ex-deputada estadual Juliana Brizola. Segundo reportagem publicada pela revista Veja, a pré-candidata ao Palácio Piratini foi indiciada em um inquérito da Polícia Civil após ser acusada pelo próprio tio de desviar mais de R$ 1 milhão que pertenceria à avó materna, Dóris Daudt, hoje com 99 anos. Juliana nega a acusação.
O caso teve origem em março do ano passado, quando Alfredo Daudt Junior, tio de Juliana, procurou a Divisão de Proteção ao Idoso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul para apresentar uma notícia-crime contra a sobrinha. De acordo com a acusação, ela teria se aproveitado do estado de saúde da avó para movimentar valores de sua conta bancária.
A investigação foi concluída com o indiciamento de Juliana Brizola (PDT) com base no artigo 102 do Estatuto da Pessoa Idosa, que trata da apropriação ou desvio de bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento de pessoa idosa. Após a conclusão policial, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, a quem caberá avaliar se apresenta ou não denúncia à Justiça.
Juliana, por sua vez, afirma não ter se apropriado de recursos da avó e sustenta que a acusação decorre de uma disputa familiar. Em manifestações anteriores sobre o caso, a ex-deputada também classificou a divulgação do inquérito como uma tentativa de atingir sua reputação em meio ao processo eleitoral.
A controvérsia surge em um momento politicamente sensível no Rio Grande do Sul. O campo da esquerda tenta reorganizar suas forças para a disputa estadual, em meio ao lançamento do nome de Edegar Pretto (PT) e às articulações de partidos que buscam manter um palanque alinhado ao presidente Lula (PT) no estado. A entrada de um episódio policial envolvendo Juliana Brizola amplia a pressão sobre esse tabuleiro e pode dificultar ainda mais a construção de uma unidade eleitoral.
Neta de Leonel Brizola, Juliana carrega um sobrenome histórico na política gaúcha e nacional. Justamente por isso, a acusação feita dentro da própria família tende a ganhar peso adicional no debate público, sobretudo em uma eleição na qual imagem, credibilidade e capacidade de articulação serão ativos decisivos.
Apesar do indiciamento, a ex-deputada não é ré no caso. O procedimento ainda depende da análise do Ministério Público, que poderá pedir novas diligências, arquivar o inquérito ou oferecer denúncia à Justiça. Até eventual decisão judicial em sentido contrário, Juliana Brizola mantém o direito de defesa e a presunção de inocência.