Temendo derrotas, PT pode rifar tentativa de reeleição dos governadores da Bahia e Ceará

O PT pode estar prestes a fazer uma mudança drástica em dois de seus principais palanques regionais para as eleições de 2026. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o partido avalia substituir os atuais governadores da Bahia e do Ceará, Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, como estratégia para preservar a competitividade eleitoral e evitar perder o comando de dois estados centrais para o projeto nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao contrário do que se especula em alguns círculos, a discussão não envolve abrir mão de disputar os governos estaduais, mas sim redefinir candidaturas com nomes mais fortes. A possibilidade colocada na mesa é que os ex-governadores Rui Costa e Camilo Santana, hoje ministros do governo federal, sejam lançados como candidatos aos governos estaduais, retomando protagonismo em estados onde mantêm capital político e aprovação elevada.
Camilo e Rui governaram seus estados por dois mandatos consecutivos entre 2015 e 2022, encerrando os ciclos com boa avaliação e forte influência eleitoral. Esse desempenho foi decisivo para a eleição de seus sucessores, que venceram as disputas com votações expressivas. No entanto, o cenário de 2026 começa a indicar desgaste nas gestões atuais e avanço de adversários competitivos, o que levou a cúpula petista a considerar alternativas para evitar riscos eleitorais.
Ceará: Ciro pressiona e Elmano perde terreno
No Ceará, a pressão vem do campo oposicionista que se reorganiza em torno do ex-governador e ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB). Ciro já aparece liderando levantamentos, com vantagem de cerca de 10 pontos percentuais sobre Elmano em algumas sondagens internas e pesquisas acompanhadas por lideranças políticas. O quadro se altera, porém, quando o nome testado é o de Camilo Santana: o ministro aparece numericamente mais forte e, nos mesmos cenários, supera Ciro com maior folga, o que reforça a tese de que a troca pode ser uma solução eleitoral.
O risco, para o PT, é que a reeleição de Elmano se transforme em uma disputa de alto custo político, num ambiente de polarização local e com a oposição fortalecida. Camilo, por outro lado, ainda concentra grande capacidade de mobilização e pode reordenar a aliança governista no estado.
Bahia: ACM Neto lidera e Jerônimo enfrenta desgaste
Na Bahia, a situação é considerada ainda mais delicada. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) lidera pesquisas para 2026 e surge como principal ameaça ao projeto petista no estado. Ao mesmo tempo, Jerônimo Rodrigues enfrenta desgaste crescente, especialmente pela percepção de piora nos índices de criminalidade e pela pressão em torno da segurança pública, tema que tem pesado fortemente sobre a avaliação do governo.
Nesse contexto, Rui Costa aparece como alternativa natural. Ex-governador por oito anos e um dos principais quadros do PT no Nordeste, Rui mantém recall eleitoral e seria considerado altamente competitivo contra ACM Neto, além de ter capacidade de reorganizar a base política estadual e nacional.
Saída de ministérios abre caminho para reposicionamento eleitoral
A eventual substituição ganha força diante do fato de que Camilo Santana e Rui Costa devem deixar seus ministérios para se dedicar ao ciclo eleitoral de 2026. Oficialmente, Rui é apontado como possível candidato ao Senado, enquanto Camilo é citado como coordenador da campanha de Lula no Ceará. No entanto, a saída de ambos do governo federal os coloca automaticamente como nomes disponíveis para disputas majoritárias e amplia a margem de manobra do PT para ajustar suas candidaturas estaduais.
A leitura interna é pragmática: o PT não quer correr o risco de perder o comando de dois estados estratégicos do Nordeste, onde construiu hegemonia política nas últimas décadas e que têm peso decisivo no projeto nacional do partido.
Nordeste em jogo: PT tenta proteger seus principais redutos
A movimentação na Bahia e no Ceará ocorre num momento em que o partido também monitora com atenção outros cenários regionais. No Rio Grande do Norte, o PT governa com Fátima Bezerra, mas o nome mais citado como candidato governista, Cadu Xavier, ainda não empolga nas intenções de voto. No Piauí, a situação é mais confortável: o governador Rafael Fonteles é visto como franco favorito à reeleição e deve manter o controle do estado sem grandes sobressaltos.
A estratégia em discussão, portanto, seria uma tentativa de blindar o PT nos estados mais importantes do Nordeste, substituindo candidaturas fragilizadas por nomes com maior densidade eleitoral e histórico de aprovação, garantindo palanques fortes para Lula e evitando um revés político em 2026.