Toffoli passou 168 dias em um resort no Paraná sob suspeita de que o ministro seja o dono oculto

Resort conhecido como "do Toffoli" e os gastos públicos com segurança levantam questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Toffoli passou 168 dias em um resort no Paraná sob suspeita de que o ministro seja o dono oculto
Ton Molina/STF.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou ao menos 168 dias no Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), entre dezembro de 2022 e o final de 2025. Durante essas viagens, as diárias de segurança para proteger o magistrado custaram aos cofres públicos a quantia de R$ 548,9 mil.

A informação, inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por O Antagonista, levanta uma série de questões sobre os possíveis conflitos de interesse no caso. O Tayayá é um resort que se tornou famoso por ser associado ao ministro Toffoli. Funcionários do local chegaram a afirmar que Toffoli seria o proprietário oculto do resort.

O ministro frequentou o resort sete vezes desde que a propriedade foi adquirida em abril de 2025 por Paulo Humberto Barbosa, advogado e sócio de dirigentes do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Durante essas visitas, Toffoli passou 58 dias no resort.

A Transparência Internacional Brasil já pediu à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao Senado que iniciem investigações sobre os gastos e a possível relação de Toffoli com a propriedade. As informações sobre as viagens de Toffoli ao resort foram obtidas a partir de documentos que detalham as diárias de segurança pagas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, em São Paulo. A segurança do ministro incluía a presença de quatro ou cinco agentes do TRT, e a troca de equipe acontecia quando a permanência dele ultrapassava cinco dias.

Em uma das ocasiões, Toffoli chegou a fechar o resort para uma festa privada, destinada a amigos e familiares, o que intensificou as suspeitas sobre o vínculo do ministro com o local. Na época, o resort já havia sido vendido para o advogado da J&F, e as questões envolvendo a família Toffoli começaram a surgir com mais força, especialmente com os irmãos de Toffoli sendo sócios do Tayayá Aqua Resort até 2021.

O fundo de investimentos Arleen, que teve a família Toffoli como sócia, também foi envolvido em transferências de R$ 33,9 milhões para uma offshore nas Ilhas Virgens, o que gerou mais suspeitas sobre a atuação do ministro e a possível relação com interesses privados.

Essa série de eventos agora está sendo analisada pela Transparência Internacional, que classifica o caso como “um conjunto de evidências” que exige apuração mais aprofundada. A PGR e o Senado estão sendo pressionados a investigar as circunstâncias e o impacto que a atuação do ministro Toffoli pode ter nas decisões da mais alta Corte do país.