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Política

Trump é pressionado a cobrar da China libertação de presos por motivos religiosos

Por Brasil no Centro Publicado em 15 de setembro de 2026 às 17:56 4 min de leitura
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Trump é pressionado a cobrar da China libertação de presos por motivos religiosos

A Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) pediu ao presidente Donald Trump (Republicano) que coloque a situação de presos por motivos religiosos na China entre os temas da próxima reunião com o presidente chinês Xi Jinping. O encontro está previsto para 24 de setembro, nos Estados Unidos.

A entidade defende que Washington pressione Pequim pela libertação de pessoas detidas por exercerem sua fé ou defenderem a liberdade religiosa. Entre os casos citados estão o empresário e ativista católico pró-democracia Jimmy Lai, líderes cristãos e o monge tibetano Gedhun Choekyi Nyima, reconhecido pelo governo tibetano no exílio como o Panchen Lama.

Segundo a USCIRF, Trump já havia levantado a questão diretamente com Xi em uma reunião realizada neste ano. A comissão considera que uma nova cobrança durante a próxima cúpula poderia reforçar a posição americana em defesa da liberdade religiosa.

O presidente da comissão, Asif Mahmood, afirmou que uma manifestação pública de Trump enviaria uma mensagem de continuidade sobre a prioridade dada pelos Estados Unidos ao direito de liberdade religiosa. A USCIRF também sustenta que o governo chinês deve respeitar a liberdade de crença de sua população.

Libertação de pastor é citada como precedente

A comissão cita como exemplo a libertação, em julho, do pastor Ezra Jin, fundador da Igreja de Sião, uma comunidade cristã não registrada oficialmente pelas autoridades chinesas. Segundo a USCIRF, a intervenção do governo americano contribuiu para que Jin fosse libertado e autorizado a seguir para os Estados Unidos, onde se reuniu com sua família.

O caso, porém, não encerrou a situação envolvendo a Igreja de Sião. A USCIRF afirma que outros oito líderes da organização presos durante a mesma ofensiva continuam detidos.

A comissão quer que Trump também leve à conversa com Xi os casos de Gulshan Abbas, Ekpar Asat, do pastor Gao Quanfu e de sua esposa, Pang Yu, além de Jimmy Lai e do Panchen Lama. Também foi solicitado que o governo chinês forneça um passaporte ao pastor John Cao, residente permanente legal dos Estados Unidos, para que ele possa reencontrar a família e buscar tratamento médico no país.

Jimmy Lai ocupa posição de destaque na lista apresentada pela comissão. O empresário e defensor da democracia em Hong Kong está preso desde 2020 sob a legislação de segurança nacional adotada pela região. O caso deverá ser discutido em uma audiência no Congresso americano nesta quarta-feira (16), com participação de seu filho, Sebastien Lai.

China permanece sob pressão internacional

No relatório anual de 2026, a USCIRF recomendou que a China continue classificada pelos Estados Unidos como um país de particular preocupação em razão de violações consideradas sistemáticas e graves da liberdade religiosa. A comissão cita restrições que atingem, entre outros grupos, católicos, protestantes, muçulmanos uigures e tibetanos.

A entidade também aponta a política chinesa de chamada “sinicização da religião”, pela qual o governo busca ampliar o controle estatal sobre organizações e atividades religiosas. Em maio, a comissão afirmou que novas normas haviam ampliado as restrições sobre atividades religiosas realizadas fora de estruturas autorizadas pelo Estado.

O apelo a Trump ocorre em paralelo às negociações entre Washington e Pequim sobre comércio, tarifas e outros temas estratégicos. A reunião prevista para 24 de setembro deverá ocorrer em um momento de tentativa de estabilização da relação entre as duas maiores economias do mundo.

Para a USCIRF, a discussão sobre liberdade religiosa deve permanecer integrada à agenda diplomática americana, independentemente das negociações econômicas entre os dois governos.

Comissão também critica situação religiosa no Quirguistão

Além da China, a USCIRF voltou a defender que a República Quirguiz seja incluída na lista de vigilância especial do Departamento de Estado americano.

Em relatório divulgado em setembro, a comissão apontou restrições que, segundo a entidade, atingem muçulmanos independentes e comunidades cristãs não registradas. Entre as medidas citadas estão fiscalizações em locais de culto, multas, apreensão de materiais religiosos e processos criminais.

A USCIRF também criticou alterações promovidas pelo governo do presidente Sadyr Japarov em 2025, afirmando que elas ampliaram o controle estatal sobre grupos religiosos. Segundo a comissão, leis antiextremismo também vêm sendo utilizadas contra organizações classificadas pelas autoridades como não tradicionais.