Zema classifica ex-aliado Marcelo Aro como “político vendido” e compara decepção a casamento com “serial killer”

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República Romeu Zema (NOVO) fez duras críticas ao candidato ao Senado Marcelo Aro (PP), seu ex-secretário de Governo, após o rompimento da aliança política construída entre os dois grupos nos últimos anos. Em entrevista ao Estadão, Zema afirmou ter se decepcionado com a postura adotada pelo antigo aliado e declarou apoio ao atual governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição em Minas Gerais.
A declaração ocorre em meio ao afastamento político entre Aro e o grupo que comandou Minas Gerais desde 2019.
Ex-secretário de Governo e um dos principais articuladores da gestão Zema, Aro chegou a ser considerado uma alternativa para a disputa pelo governo estadual diante das dificuldades de construção de uma chapa única no campo governista.
A movimentação de Marcelo Aro acabou implodindo a tentativa de união da centro-direita mineira em torno de uma candidatura única. O cenário terminou com três nomes disputando o governo do estado: Mateus Simões (PSD), apoiado por Zema; Cleitinho (Republicanos); e Flávio Roscoe (PL).
Após não conseguir viabilizar sua candidatura ao governo de Minas, Aro passou a buscar uma vaga ao Senado. O político acabou derrotado dentro da própria federação União Progressistas, que definiu a composição da chapa de Mateus Simões e indicou o candidato a vice-governador.
Com isso, Aro decidiu disputar o Senado de forma avulsa e passou a buscar apoio informal de Cleitinho, movimento que também não avançou como esperado.
Ao comentar o conflito entre os antigos aliados, Zema afirmou que não tinha dúvidas sobre seu posicionamento e reafirmou apoio a Mateus Simões. Segundo o ex-governador, o atual governador participou diretamente da construção do projeto político iniciado pelo Novo em Minas.
“É uma pessoa extremamente capacitada, foi meu braço direito tanto na primeira quanto na segunda gestão, e o meu apoio é total a ele”, afirmou Zema.
O candidato à Presidência também destacou que Simões representa a continuidade de uma gestão que, segundo ele, buscou recuperar a capacidade administrativa e financeira do estado após o governo Fernando Pimentel (PT).
Ao falar sobre Marcelo Aro, Zema afirmou que a mudança de postura do ex-aliado causou surpresa e classificou sua atuação como parte de uma prática política baseada em interesses imediatos.
“Parece que faz parte dessa classe aí dos políticos vendidos. Viu uma oportunidade de ganhar alguma coisa, faz de tudo”, declarou.
Zema também criticou o que chamou de comportamento imediatista na política.
“Tem gente que é imediatista. Viu um anel ali, arranca o dedo do outro junto para não perder o anel”, afirmou.
Questionado sobre como um aliado permaneceu durante anos em uma posição estratégica antes do rompimento, o ex-governador utilizou uma comparação para explicar sua avaliação sobre mudanças de comportamento.
“Tem gente que casa, fica 30 anos casado e descobre que o marido é um serial killer dormindo junto, tomando café junto”, disse.
Ao final, Zema afirmou que o episódio representou uma grande surpresa em sua trajetória política. “O ser humano sempre causa muitas surpresas para nós, e foi uma grande decepção”, completou.
O rompimento alterou o equilíbrio político dentro do grupo que sustentou a gestão Zema e abriu uma disputa por espaço no campo da direita e centro-direita mineira para as eleições de 2026.
Na disputa pelo Senado, Marcelo Aro enfrenta Carlos Viana (PSD), apoiado pelo grupo de Mateus Simões; Domingos Sávio (PL), ligado ao grupo de Flávio Bolsonaro; e Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas e nome com forte presença política no estado, especialmente junto aos municípios do interior. O campo da esquerda tem como principal representante Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem.