
O pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema (Novo), voltou a centrar críticas no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em evento nesta segunda-feira (25) na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham), em São Paulo. As declarações, feitas em meio a agendas em outros estados para aumentar sua visibilidade, contrastam com a relação que chegou a ser cogitada entre Zema e Flávio como vice na chapa presidencial.
Segundo Zema, o eleitor que optar por Flávio Bolsonaro estará, na prática, ajudando a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mineiro argumentou que o cenário eleitoral de 2026 é mais complexo que o de 2022, em razão de escândalos envolvendo a base da direita. “Essas últimas pesquisas mostram que quem vota no Flávio estará entregando a eleição para o Lula, que manteve seu posicionamento, enquanto ele caiu”, disse Zema, durante o encontro com empresários e representantes do setor privado.
As críticas reacenderam tensões dentro do bolsonarismo. Carlos Bolsonaro (PL-SC), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, afirmou nas redes sociais que Zema age de forma “baixa” e sugeriu que novas provocações poderiam surgir. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também reagiu, comparando o mineiro ao ex-candidato João Amoedo, que deixou o Novo por divergências com a aproximação do partido a grupos mais ligados a Bolsonaro.
O pré-candidato do Novo já havia se posicionado nas redes ao criticar a proximidade de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e investigado por fraude bancária. Inicialmente, a reação de Zema foi considerada precipitada até por aliados da própria direita, mas o mineiro manteve a posição de que a relação com Vorcaro é inaceitável. Em seguida, em evento interno do Novo, caracterizou o episódio como “página virada” e chegou a afirmar que, em um eventual segundo turno, poderia votar em Flávio.
A pacificação durou pouco. Nesta segunda, Zema voltou a criticar o senador e seu relacionamento com Vorcaro, lembrando que este teria prometido R$ 130 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o mineiro, apoiar Flávio hoje equivaleria a entregar a eleição ao petista, especialmente diante da queda das intenções de voto do filho de Bolsonaro nas pesquisas recentes.