
Um novo levantamento do Datafolha revela um retrato claro da atual configuração política do Brasil. Segundo a pesquisa, 57% da população se identifica com posições ideológicas mais polarizadas, sendo 35% alinhados à direita e 22% à esquerda. Outros 17% se declaram de centro, enquanto parcelas menores se distribuem entre centro-direita, centro-esquerda ou não souberam se posicionar.
Os dados foram coletados entre os dias 2 e 4 de dezembro, com 2.002 entrevistados em 113 municípios, abrangendo brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A pesquisa utilizou uma escala de 1 a 7 para medir o posicionamento ideológico, em que 1 representa a esquerda e 7 a direita. Em outro recorte divulgado pelo instituto, 74% dos brasileiros afirmaram se identificar como bolsonaristas ou petistas, reforçando o ambiente de polarização que domina o debate público nacional.
Apesar disso, o levantamento mostra nuances importantes. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o centro aparece com mais força: 30% se dizem centristas, índice superior ao registrado entre direita e esquerda nessa faixa etária. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, a direita predomina, com 42%, enquanto apenas 9% se identificam com o centro.
A escolaridade também influencia o posicionamento político. Entre brasileiros com ensino médio completo e ensino superior, cerca de um quinto se declara de centro, proporção significativamente maior do que entre aqueles com menor nível de escolaridade.
No recorte religioso, a direita é mais expressiva entre evangélicos, enquanto católicos apresentam distribuição mais equilibrada. O estudo também aponta cruzamentos curiosos de voto: parte dos eleitores que se declaram de esquerda afirmou ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, enquanto uma parcela dos que se colocam à direita declarou voto em Lula.
Os números reforçam uma constatação central: embora o debate público esteja dominado pelos extremos, existe um contingente relevante de brasileiros que não se reconhece nessa lógica de confronto permanente e pode ser decisivo nas próximas disputas eleitorais.