68% dos brasileiros não sabem citar o nome de nenhum deputado federal, diz Datafolha

Levantamento aponta baixo nível de identificação dos eleitores com o Congresso Nacional e mostra que a maioria também não se recorda dos votos dados para cargos do Legislativo nas eleições de 2022

68% dos brasileiros não sabem citar o nome de nenhum deputado federal, diz Datafolha

A distância entre o eleitor e o Poder Legislativo continua sendo um dos principais desafios da política brasileira. Pesquisa divulgada pelo Datafolha mostra que 68% dos brasileiros afirmam não saber ou não conseguem lembrar o nome de nenhum deputado federal atualmente em exercício. O cenário é ainda mais acentuado em relação ao Senado, onde 75% dos entrevistados disseram não conseguir citar sequer um parlamentar.

O levantamento foi realizado nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os dados também indicam que o vínculo entre eleitor e representantes eleitos permanece frágil mesmo poucos anos após o último pleito. Entre os brasileiros que já tinham idade para votar em 2022, 67% disseram não se lembrar em quem votaram para deputado federal. O percentual é semelhante para senador e deputado estadual, ambos com 66%.

A pesquisa mostra que apenas um número reduzido de parlamentares alcança reconhecimento nacional. Entre os deputados federais, somente seis nomes foram lembrados espontaneamente pelos entrevistados. O mais citado foi Nikolas Ferreira (PL), seguido por Erika Hilton (PSOL). Também apareceram, em percentuais menores, Gustavo Gayer (PL), Kim Kataguiri (Missão), Lindbergh Farias (PT) e Sâmia Bomfim (PSOL).

No Senado, o padrão se repete. Apenas 15 dos 81 integrantes da Casa foram mencionados pelos entrevistados. Flávio Bolsonaro (PL) liderou as citações, seguido por Romário (PL), Cleitinho (Republicanos) e Sergio Moro (União). Outros senadores apareceram com índices residuais de lembrança.

Além da dificuldade em identificar parlamentares, o levantamento evidencia que o eleitor brasileiro mantém maior proximidade com as disputas pelo Poder Executivo do que com as eleições legislativas. Enquanto dois terços dos entrevistados não recordam seus votos para deputado ou senador, apenas 7% afirmaram não lembrar em quem votaram para presidente da República em 2022. No caso dos governadores, o percentual de esquecimento foi de 38%.

Especialistas apontam que esse comportamento está relacionado à forte personalização das disputas presidenciais e ao menor conhecimento da população sobre as atribuições do Congresso Nacional. Embora deputados e senadores tenham papel decisivo na elaboração das leis, na fiscalização do Executivo e na definição do Orçamento da União, as campanhas para esses cargos costumam receber menor atenção do eleitorado.

A pesquisa também identificou diferenças entre grupos de eleitores. O índice de esquecimento dos votos legislativos foi maior entre mulheres do que entre homens e variou de acordo com a identificação partidária declarada pelos entrevistados. Entre simpatizantes de diferentes legendas, a lembrança dos votos para presidente permaneceu significativamente superior à registrada para os cargos do Legislativo.

O levantamento ocorre em um momento em que o Congresso Nacional ocupa posição central em debates sobre reformas, votações orçamentárias e temas de grande repercussão política. Apesar disso, os números reforçam a percepção de que boa parte da população acompanha com maior intensidade as disputas pelo Palácio do Planalto do que a atuação cotidiana de deputados e senadores, responsáveis por decisões que influenciam diretamente a formulação de políticas públicas e o funcionamento das instituições.