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Economia

Produção industrial brasileira despenca e tem pior resultado para agosto em 11 anos, diz CNI

Por Brasil no Centro Publicado em 22 de setembro de 2026 às 16:28 4 min de leitura
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Produção industrial brasileira despenca e tem pior resultado para agosto em 11 anos, diz CNI

A indústria brasileira perdeu força em agosto e registrou o pior resultado para o mês em 11 anos, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (21). O índice de evolução da produção caiu 4,7 pontos na passagem de julho para agosto, de 51 para 46,3 pontos, ficando abaixo da linha de 50 pontos que separa crescimento de retração.

O resultado chama atenção porque agosto costuma apresentar desempenho positivo para a atividade industrial. De acordo com a CNI, nos últimos 11 anos o indicador ficou abaixo dos 50 pontos apenas duas vezes no mês: em 2025 e agora em 2026. A leitura deste ano também é a pior para agosto desde 2015, período marcado por uma forte recessão da economia brasileira.

A piora da produção veio acompanhada de outros sinais de perda de ritmo. A utilização da capacidade instalada recuou um ponto percentual, para 69%, ficando dois pontos abaixo da média histórica para agosto. Já o índice de evolução do número de empregados caiu de 48,6 para 48,2 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos e indicando continuidade da retração do emprego industrial na percepção dos empresários.

Empresários reduzem intenção de investir

Outro indicador chama atenção no levantamento da CNI. A intenção de investimento da indústria caiu 1,3 ponto em setembro, passando de 52,6 para 51,3 pontos. É o quarto recuo consecutivo e o menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Desde maio, o indicador acumula queda de 3,5 pontos.

Para a entidade, a redução da disposição para investir está relacionada à perda de ritmo da atividade e ao aumento das incertezas enfrentadas pelas empresas. O ambiente mais cauteloso tende a afetar decisões relacionadas à expansão da capacidade produtiva, aquisição de equipamentos e contratação de trabalhadores.

A própria CNI aponta a demanda mais fraca por bens industriais e as incertezas internas e externas entre os fatores que contribuíram para o resultado. O economista Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da entidade, também citou o período eleitoral como um elemento adicional de imprevisibilidade para as empresas.

Indústria sente pressão sobre atividade e emprego

O desempenho de agosto ocorre depois de um julho em que o índice de produção havia alcançado 51 pontos, indicando crescimento em relação ao mês anterior. Na passagem para agosto, porém, a atividade voltou a ficar abaixo da linha de 50 pontos.

O comportamento do emprego acompanha a perda de ritmo. O índice de evolução do número de trabalhadores permaneceu abaixo de 50 pontos, sinalizando retração na percepção dos empresários. A CNI observa que a leitura mantém o quadro de redução do emprego industrial observado ao longo dos últimos anos.

Também houve mudança na percepção sobre os estoques. O índice de evolução dos estoques de produtos finais caiu de 51 para 49,5 pontos, passando a indicar redução na passagem de julho para agosto. Apesar disso, o estoque efetivo permaneceu próximo do nível considerado adequado pelas empresas.

Cenário exige recuperação da atividade

A Sondagem Industrial é uma pesquisa mensal realizada pela CNI em parceria com federações estaduais de indústria e acompanha a percepção dos empresários sobre produção, emprego, estoques, utilização da capacidade instalada e perspectivas para os meses seguintes.

Na edição de agosto, a pesquisa ouviu 1.403 empresas, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes, entre os dias 1º e 11 de setembro. Os indicadores são apresentados em uma escala de zero a 100 pontos, na qual resultados acima de 50 indicam crescimento e valores abaixo desse patamar apontam retração.

Os dados reforçam o quadro de desaceleração da indústria brasileira em 2026. Com produção abaixo da linha de crescimento, utilização da capacidade em queda, emprego industrial pressionado e menor disposição para investir, o setor chega ao segundo semestre diante do desafio de recuperar demanda e confiança para retomar uma trajetória mais consistente de expansão.