Portos privados alertam presidenciáveis para risco de US$ 150 bilhões em exportações

A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) apresentou nesta segunda-feira (28) uma carta aos candidatos à Presidência com propostas para a infraestrutura logística brasileira. Segundo a entidade, restrições à capacidade dos terminais privados podem colocar em risco cerca de US$ 150 bilhões em exportações. O valor é uma estimativa da associação sobre perdas potenciais, e não um prejuízo já registrado.
A ATP reúne 41 empresas e 78 terminais de uso privado, responsáveis, segundo o setor, por cerca de 60% da movimentação de cargas nos portos brasileiros. Suas associadas atuam no embarque e desembarque de produtos do agronegócio, mineração, petróleo e gás, siderurgia e carga geral.
Entre os pedidos ao próximo governo estão a dragagem regular dos canais de acesso e das hidrovias, a ampliação das ligações ferroviárias e rodoviárias com os portos e a conservação das estradas usadas para transportar mercadorias. A entidade também aponta a necessidade de melhorar corredores logísticos que já operam perto do limite de capacidade.
Na área regulatória, a carta defende maior coordenação entre órgãos públicos para evitar exigências repetidas ou contraditórias. A ATP pede ainda que mudanças com impacto relevante sobre investimentos e operações sejam precedidas de análises de impacto regulatório. Para a associação, decisões sobre concorrência devem levar em conta que os terminais privados são implantados e operados com recursos dos próprios investidores.
O documento inclui propostas para dar mais previsibilidade à formação de preços e ampliar a capacitação de trabalhadores portuários e aquaviários. Encaminhadas na última semana antes do primeiro turno, as reivindicações levam aos presidenciáveis uma agenda voltada à capacidade do Brasil de transportar e exportar sua produção.