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Valdemar critica carta de Flávio e expõe divergência no PL após derrota eleitoral

Presidente do partido rejeita documento em que Flávio Bolsonaro se apresentou como vencedor da eleição. Divergência surge após senador deixar o Brasil e contestar vitória de Lula sem apresentar provas.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 14:16 7 min de leitura
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Valdemar critica carta de Flávio e expõe divergência no PL após derrota eleitoral

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29) a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na qual o candidato derrotado na eleição presidencial se apresentou inicialmente como o verdadeiro vencedor da disputa. A manifestação tornou pública uma divergência na direção do partido, que já havia reconhecido oficialmente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Questionado por jornalistas antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, Valdemar foi direto ao comentar o documento divulgado pelo senador. “Não gostei, não gostei”, afirmou.

A declaração ocorreu diante da repercussão da carta publicada na quarta-feira (28), depois que Flávio chegou aos Estados Unidos. No texto original, distribuído por aliados, o senador se apresentava como presidente eleito do Brasil, apesar da derrota confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após a repercussão, a redação foi modificada. Em uma versão publicada em suas próprias redes sociais, Flávio substituiu a referência à Presidência pela expressão “líder do Brasil”, mas manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas que sustentassem a contestação.

A alteração não impediu críticas de integrantes do próprio PL. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, pelo UOL e pelo Congresso em Foco, dirigentes e parlamentares demonstraram preocupação com os possíveis efeitos da iniciativa sobre a atuação da legenda na oposição.

Valdemar fez a declaração momentos antes de entrar na residência de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação apresentada pela defesa do ex-presidente.

O dirigente afirmou que pretendia conversar com Bolsonaro sobre a situação política do partido e os acontecimentos posteriores à eleição presidencial.

A reunião ocorre enquanto a legenda tenta definir os próximos passos de sua atuação nacional, depois de conquistar a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliar sua presença no Senado.

O posicionamento de Valdemar contrasta com a estratégia adotada por Flávio desde a confirmação do resultado eleitoral, no domingo (25).

Na noite da votação, o senador afirmou que não reconheceria a vitória de Lula e anunciou a intenção de recorrer à Justiça para questionar o segundo turno. O principal argumento apresentado foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a prorrogação do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas às 17h.

Flávio argumentou que a medida teria alterado as condições da disputa e provocado diferenças entre eleitores de localidades distintas.

A decisão judicial foi tomada após reclamações sobre dificuldades de transporte e deslocamento no dia da votação. As duas campanhas apresentaram solicitações de ampliação do horário, embora com justificativas e abrangências diferentes.

O TSE informou posteriormente que apenas cerca de 34,3 mil votos foram registrados após as 17h. O número corresponde a menos de 1% da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Esses dados não sustentam a alegação de que a prorrogação, por si só, tenha invertido o resultado presidencial.

A divergência entre Flávio e a direção nacional do PL já havia aparecido na segunda-feira (26).

Na ocasião, o partido divulgou uma nota assinada por Valdemar Costa Neto sobre o resultado das eleições. A primeira versão reconhecia a dimensão da votação presidencial, mas evitava afirmar expressamente que Lula havia vencido.

Horas depois, a publicação foi retirada e substituída por outra manifestação, na qual o partido passou a reconhecer diretamente o resultado proclamado pelo TSE.

A mudança estabeleceu uma posição institucional diferente daquela defendida pelo candidato derrotado.

Embora tenha mantido questionamentos sobre a condução da disputa e os gastos públicos anunciados na reta final da campanha, Valdemar não aderiu publicamente à afirmação de que a eleição teria sido fraudada.

A nova controvérsia ganhou força depois da saída de Flávio Bolsonaro do país.

O senador chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28), após deixar o Brasil enquanto estava submetido a uma decisão de Alexandre de Moraes que determinava a entrega de seus passaportes e impunha restrição à saída do território nacional.

Flávio nega ter fugido e afirma que deixou o Brasil por considerar que sofre perseguição judicial. Também contesta as suspeitas investigadas no Supremo.

Já nos Estados Unidos, anunciou que pretende continuar liderando a oposição ao governo Lula a partir do exterior.

A decisão gerou preocupação entre aliados políticos que defendem a manutenção da atuação institucional da oposição no Congresso Nacional.

O senador Rogério Marinho (PL), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, atribuiu a referência ao suposto presidente eleito a um erro na elaboração da carta.

Marinho também reconheceu que não haviam sido apresentadas provas de fraude capazes de justificar a contestação do resultado eleitoral.

O esclarecimento ocorreu depois que o documento passou a circular entre dirigentes partidários e parlamentares, provocando questionamentos sobre a posição que Flávio pretendia assumir após a derrota.

Segundo apuração do UOL, integrantes da legenda avaliam que a insistência em não reconhecer o resultado pode dificultar as relações com outros partidos de direita e de centro, especialmente aqueles que já manifestaram respeito à eleição e defendem uma oposição organizada ao próximo governo.

Entre as lideranças que adotaram essa posição está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que passou a defender o encerramento da disputa eleitoral e a concentração dos esforços políticos nas questões nacionais.

O cenário coloca o PL diante de duas posições distintas. A direção partidária reconheceu formalmente a vitória de Lula, enquanto Flávio continua questionando a legitimidade do resultado e pretende atuar politicamente fora do país.

A discussão ocorre apesar do desempenho expressivo do PL nas eleições legislativas e estaduais.

A legenda elegeu 121 deputados federais e conquistou uma das maiores representações no Senado, além de ampliar seu espaço nos governos estaduais.

A composição dará ao partido protagonismo nas votações do Congresso e nas negociações relacionadas à próxima legislatura.

O reconhecimento do resultado presidencial também foi adotado por outros partidos que apoiaram Flávio no segundo turno, entre eles Republicanos e setores do MDB e do Progressistas.

O PSDB, que não declarou apoio oficial a nenhum dos dois candidatos na etapa decisiva, igualmente cumprimentou Lula pela reeleição e anunciou que continuará na oposição com responsabilidade, equilíbrio e firmeza.

Na quinta-feira, ao rejeitar publicamente a carta de Flávio, Valdemar tornou explícito o desconforto existente na direção do PL diante dos acontecimentos posteriores à votação.

O encontro com Jair Bolsonaro acontece em meio à tentativa de organizar a atuação política da legenda para os próximos quatro anos, período em que o partido terá uma bancada numerosa no Congresso, mas precisará definir como conduzir sua oposição ao governo Lula.

Até esta quinta-feira (29), não havia sido apresentada prova de fraude eleitoral capaz de invalidar a vitória presidencial anunciada pelo TSE. A carta de Flávio permanece como uma manifestação política do senador, sem alterar o resultado oficial das urnas.