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PF prende presidente do Tribunal de Contas de MT e investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro

Operação autorizada pelo STJ prende seis pessoas e apura irregularidades em contratos, pagamentos suspeitos e movimentações financeiras dentro do órgão responsável pela fiscalização das contas públicas.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 15:01 5 min de leitura
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PF prende presidente do Tribunal de Contas de MT e investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (29) durante uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades na administração financeira da instituição. A ação também resultou na prisão de outros cinco investigados, entre eles o consultor jurídico-geral do tribunal, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia.

Batizada de Operação Tomada de Contas, a ofensiva foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mobilizou mais de 180 policiais federais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo e sequestro de bens. Polícia Federal+1

As investigações estão concentradas em possíveis irregularidades na contratação de fornecedores, na liberação de recursos públicos e nos pagamentos realizados pelo Tribunal de Contas.

Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como instrumento de pressão sobre empresas que prestavam serviços à instituição. Os investigadores também apuram suspeitas de favorecimento de determinados fornecedores por meio de tratamento diferenciado na liberação de pagamentos.

Outra frente da investigação envolve movimentações financeiras consideradas incompatíveis com operações administrativas regulares.

A PF identificou divergências em pagamentos realizados a empresas, transações bancárias atípicas envolvendo servidores públicos e saques frequentes de dinheiro em espécie. Os investigadores procuram esclarecer possíveis relações entre créditos registrados em contas bancárias e retiradas de valores realizadas nas dependências do próprio tribunal. Polícia Federal

Além de Sérgio Ricardo e Grhegory Maia, foram presos a secretária executiva Roseli Loss, o servidor Adriangelo Barros Antunes, Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva, segundo informações divulgadas pela imprensa de Mato Grosso.

Grhegory Maia é procurador de carreira da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e estava cedido ao Tribunal de Contas, onde exercia a função de consultor jurídico-geral.

Roseli Loss, por sua vez, atuava na estrutura administrativa ligada à Presidência do órgão, enquanto outros investigados ocupavam ou haviam ocupado funções de assessoramento na instituição.

A investigação também alcança movimentações financeiras milionárias que teriam ocorrido durante a gestão de Sérgio Ricardo.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a Polícia Federal apura a existência de uma suposta estrutura paralela de pagamentos, pela qual recursos associados a contratos e fornecedores teriam sido direcionados a integrantes do tribunal.

Documentos da investigação mencionados pela reportagem indicam que, em menos de dez meses de 2025, aproximadamente R$ 15,4 milhões teriam sido depositados em contas vinculadas ao presidente da instituição. No mesmo período, os saques em espécie teriam alcançado cerca de R$ 15,6 milhões.

Esses valores integram as suspeitas investigadas e ainda dependem da apuração sobre sua origem, finalidade e eventual relação com crimes.

Durante as buscas desta quinta-feira, policiais federais também apreenderam dinheiro armazenado em caixas, relógios de luxo e veículos importados, conforme informações divulgadas pelo portal VGN.

Os materiais recolhidos serão examinados no decorrer da investigação e poderão contribuir para a identificação da origem dos recursos e de possíveis beneficiários das operações financeiras.

A atuação policial atinge diretamente uma instituição que possui a responsabilidade constitucional de fiscalizar a aplicação de recursos públicos estaduais e municipais.

O Tribunal de Contas de Mato Grosso analisa despesas, contratos e prestações de contas de órgãos governamentais, além de exercer funções de controle externo sobre a administração pública.

As suspeitas investigadas envolvem, portanto, a própria estrutura administrativa do órgão responsável por verificar a regularidade de gastos realizados por outras instituições.

Segundo a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A tipificação definitiva dependerá dos resultados das investigações e da análise das autoridades competentes.

A defesa de Sérgio Ricardo informou à Folha de S.Paulo que ainda não conhecia integralmente os fundamentos da prisão e que o investigado permaneceria em silêncio até ter acesso aos autos.

A prisão preventiva não representa condenação. Os investigados mantêm o direito à defesa e à presunção de inocência durante a tramitação dos procedimentos judiciais.

As medidas determinadas pelo STJ buscam preservar provas e permitir o aprofundamento das apurações sobre o funcionamento dos contratos e pagamentos no Tribunal de Contas.

A Polícia Federal deverá analisar os documentos, registros bancários e demais materiais apreendidos para identificar eventuais responsabilidades individuais e esclarecer se recursos públicos foram utilizados de maneira irregular.

A Operação Tomada de Contas coloca sob investigação parte da direção da instituição responsável pela fiscalização das finanças públicas de Mato Grosso, enquanto a Justiça acompanha o desenvolvimento das apurações e a situação dos servidores e dirigentes presos.