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Aliados de Bolsonaro fazem contas no STF para tentar reverter condenação de 27 anos

Grupo político do ex-presidente busca apoio para revisão criminal relatada por Nunes Marques. PGR terá dez dias para se manifestar antes de eventual julgamento no Supremo.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 15:19 7 min de leitura
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Aliados de Bolsonaro fazem contas no STF para tentar reverter condenação de 27 anos

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram um levantamento sobre as posições dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de identificar possíveis apoios à revisão criminal que busca derrubar sua condenação a 27 anos e três meses de prisão pela participação na trama golpista. A movimentação ocorre após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em meio à reorganização política do bolsonarismo depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial.

Segundo reportagem de O Globo, integrantes do PL avaliam individualmente os possíveis votos dos ministros e tentam identificar caminhos para modificar a decisão da Primeira Turma do STF, que condenou Bolsonaro em setembro de 2025.

A articulação ganhou relevância nesta quarta-feira (28), quando o ministro Kassio Nunes Marques, relator da revisão criminal, concedeu dez dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente seu parecer sobre o pedido da defesa.

A manifestação será uma das etapas anteriores à análise do processo, que deverá ser submetido ao plenário do Supremo. Ainda não existe data definida para o julgamento.

Nas avaliações atribuídas a aliados de Bolsonaro, os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques são considerados os nomes mais próximos de uma posição favorável à revisão da condenação.

Fux participou do julgamento da ação penal na Primeira Turma e votou pela absolvição do ex-presidente. Sua manifestação anterior é utilizada pelos aliados como referência para os cálculos sobre uma eventual revisão.

Já Mendonça e Nunes Marques não participaram daquele julgamento, razão pela qual suas posições sobre o novo pedido não podem ser consideradas definidas.

A situação é diferente em relação aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que votaram pela condenação de Bolsonaro e são vistos pelos interlocutores do ex-presidente como contrários à tentativa de modificar a sentença.

As projeções representam avaliações políticas feitas por aliados e não manifestações oficiais dos magistrados sobre a revisão criminal atualmente em tramitação.

O levantamento também considera os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, integrantes da Segunda Turma e que não participaram da decisão condenatória.

Entre parlamentares próximos a Bolsonaro, existe a expectativa de que ambos possam examinar os argumentos apresentados pela defesa sem compromisso automático com o entendimento da Primeira Turma.

O presidente do STF, Edson Fachin, também aparece nas especulações de integrantes do PL.

A reportagem de O Globo aponta que alguns parlamentares acreditam na possibilidade de obter seu apoio, embora não haja manifestação pública do ministro indicando como votará. A definição dependerá do exame dos fundamentos jurídicos apresentados no processo.

Atualmente, o Supremo possui dez ministros, após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.

A vaga permanece aberta, e sua futura ocupação poderá alterar a composição do tribunal no momento do julgamento.

Nos cálculos políticos apresentados por aliados do ex-presidente, um eventual empate de cinco votos a cinco poderia favorecer Bolsonaro, considerando a aplicação do princípio da decisão mais favorável ao réu em matéria penal.

Entretanto, a consequência jurídica de um empate depende da natureza do processo e das regras aplicáveis ao julgamento. Não é possível assegurar antecipadamente que cinco votos favoráveis resultarão na anulação da condenação ou na libertação do ex-presidente.

A defesa pretende reverter a decisão que responsabilizou Bolsonaro por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à ruptura da ordem democrática após as eleições de 2022.

No pedido apresentado em setembro, os advogados sustentam que ocorreram nulidades processuais e questionam procedimentos relacionados ao acesso e à análise de provas digitais utilizadas no julgamento.

Entre os argumentos está a alegação de que não seria possível verificar integralmente a origem e o tratamento de determinados arquivos reunidos durante a investigação.

Um parecer técnico apresentado pela defesa aponta limitações na verificação desses materiais, mas não conclui que as provas tenham sido adulteradas.

A revisão criminal constitui um instrumento excepcional de contestação de condenações definitivas. Sua utilização exige fundamentos previstos em lei e não funciona como uma nova oportunidade para simplesmente repetir argumentos já rejeitados durante o processo.

Esta não é a primeira tentativa da defesa de modificar a condenação.

Em maio, os advogados apresentaram outro pedido de revisão criminal, também distribuído a Kassio Nunes Marques. Naquele procedimento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra a anulação da sentença.

A PGR considerou que a defesa não havia apresentado elementos novos suficientes para justificar a revisão da condenação.

Agora, o Ministério Público deverá examinar os argumentos do pedido mais recente, especialmente os questionamentos relacionados às provas digitais.

A manifestação anterior contrária à defesa não determina obrigatoriamente o conteúdo do novo parecer, que precisará considerar os fundamentos apresentados na segunda ação.

Nunes Marques já havia informado, antes do segundo turno presidencial, que não pretendia analisar a revisão criminal durante a campanha eleitoral.

Em comunicado divulgado em 7 de outubro, sua assessoria explicou que o ministro considerava necessário evitar decisões que pudessem interferir na disputa presidencial.

O magistrado também indicou a intenção de encaminhar a controvérsia ao plenário, em vez de resolvê-la individualmente.

Depois que a Procuradoria-Geral da República se manifestar, caberá ao relator dar andamento ao processo e, caso esteja pronto para julgamento, encaminhá-lo para inclusão na pauta, cuja definição compete à Presidência do STF.

As articulações sobre a revisão criminal ocorrem em um momento de dificuldades políticas para a família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para Lula e chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), apesar de uma determinação judicial para entregar seus passaportes.

O senador havia anunciado que contestaria o resultado eleitoral, mas a iniciativa perdeu apoio político depois que partidos aliados reconheceram a vitória do presidente reeleito.

A situação ampliou a atenção sobre as estratégias jurídicas adotadas pela família, tanto em relação aos processos que envolvem Flávio quanto à tentativa de reverter a condenação de Jair Bolsonaro.

O ex-presidente permanece em prisão domiciliar, após ter iniciado o cumprimento da pena em novembro de 2025 e recebido autorização para cumprir a condenação em casa em março de 2026.

A eventual procedência da revisão criminal poderá produzir diferentes consequências jurídicas, incluindo a modificação da pena, a anulação do processo ou a absolvição, conforme os fundamentos reconhecidos pelo tribunal.

Por enquanto, nenhuma dessas possibilidades foi determinada.

O levantamento de votos realizado por aliados do ex-presidente permanece no campo das articulações políticas. A próxima etapa formal será a manifestação da Procuradoria-Geral da República, seguida da definição sobre o julgamento da revisão criminal pelo Supremo.