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Lula avalia Camilo e Haddad para Segurança Pública e prepara troca no Itamaraty

Presidente reeleito considera criar ministério para enfrentar o crime organizado e estuda nomear Maurício Lyrio para as Relações Exteriores. Mudanças ainda dependem de definições políticas.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 15:51 7 min de leitura
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Lula avalia Camilo e Haddad para Segurança Pública e prepara troca no Itamaraty

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a discutir mudanças em áreas estratégicas do governo para o mandato que terá início em janeiro de 2027. Entre as possibilidades estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, com nomes como Camilo Santana (PT) e Fernando Haddad (PT) entre os cotados para comandá-lo, e a substituição do chanceler Mauro Vieira pelo embaixador Maurício Lyrio à frente do Ministério das Relações Exteriores.

As articulações ganharam intensidade após a reeleição de Lula no último domingo (25), quando derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. A definição da equipe será uma das primeiras decisões do presidente para organizar seu quarto mandato, especialmente em áreas que estiveram no centro da disputa eleitoral.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (29) pela Rádio Itatiaia e pela CNN Brasil, Lula sinalizou a interlocutores que prefere um nome com experiência política para assumir a futura pasta da Segurança Pública. A avaliação fez com que Camilo Santana e Fernando Haddad passassem a ser considerados, enquanto a possibilidade de escolha de um especialista sem trajetória partidária perdeu espaço nas conversas.

A criação do ministério foi uma das propostas apresentadas por Lula durante a campanha presidencial. O governo pretende estabelecer uma estrutura própria para coordenar políticas nacionais de segurança, hoje concentradas no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A iniciativa está vinculada ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a cooperação entre União, estados e municípios no combate à criminalidade.

A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e concluiu sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 14 de outubro. O texto, entretanto, ainda precisa ser apreciado pelo plenário da Casa, onde necessita de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

O governo pretende concluir a votação antes do início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027. Divergências sobre alterações na legislação penal, incluindo propostas relacionadas à maioridade penal, têm dificultado o avanço das negociações. Senado Notícias+1

Entre os primeiros nomes mencionados para comandar a nova pasta estava o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Ministério Público de São Paulo e conhecido por sua atuação em investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com aproximadamente três décadas de experiência, Gakiya participou de operações contra lideranças da organização criminosa e vive sob proteção policial em razão de ameaças relacionadas ao seu trabalho.

Poucos dias antes do segundo turno, o promotor participou de um encontro na residência do advogado Marco Aurélio de Carvalho, integrante da coordenação política da campanha de Lula em São Paulo. Na ocasião, discutiu desafios do enfrentamento ao crime organizado e experiências acumuladas durante sua atuação no Ministério Público.

Gakiya afirmou que não havia recebido convite formal para integrar o governo, embora tenha demonstrado disposição para contribuir caso fosse chamado.

Após a eleição, entretanto, interlocutores do presidente passaram a indicar preferência por um dirigente com experiência na administração pública e capacidade de articulação com governadores, parlamentares e instituições de segurança.

Nesse contexto, Camilo Santana ganhou espaço nas conversas. Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, o senador teve participação destacada na reorganização da campanha presidencial após o primeiro turno.

Camilo também é mencionado como alternativa para a Casa Civil e para um eventual retorno ao Ministério da Educação. A definição dependerá da distribuição de responsabilidades no próximo governo.

Fernando Haddad, por sua vez, aparece entre as possibilidades para a Segurança Pública por sua experiência administrativa e pela atuação anterior na área econômica.

Interlocutores de Lula mencionam o papel da Receita Federal, durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, em ações de combate à lavagem de dinheiro e a estruturas financeiras utilizadas pelo crime organizado.

O ex-ministro também é considerado para outras funções, incluindo a Casa Civil e um possível retorno ao Ministério da Educação, que comandou entre 2005 e 2012.

Até o momento, nenhuma dessas possibilidades foi confirmada oficialmente pelo presidente.

As mudanças em discussão também alcançam a diplomacia brasileira.

No Ministério das Relações Exteriores, Lula avalia a indicação do embaixador Maurício Lyrio, de 59 anos, para substituir Mauro Vieira, de 75 anos.

A movimentação é descrita por interlocutores presidenciais como uma tentativa de promover renovação geracional no comando do Itamaraty.

Vieira esteve à frente da diplomacia brasileira durante o terceiro mandato de Lula e também ocupou a função entre 2015 e 2016, durante o governo de Dilma Rousseff (PT).

Lyrio, por sua vez, construiu uma trajetória ligada às negociações econômicas e ambientais do Brasil. O diplomata é próximo de Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, e participou de iniciativas relevantes da política externa durante o atual governo.

Entre suas atribuições estiveram negociações relacionadas ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, discussões do G20 e tratativas para reduzir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Em 2025, assumiu a Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, com participação na preparação da COP30, realizada em Belém.

A possível substituição de Mauro Vieira ocorre em um período no qual o Brasil enfrenta negociações comerciais relevantes e mudanças no cenário internacional.

O próximo chanceler terá de administrar relações com parceiros como China, Estados Unidos e União Europeia, além das agendas envolvendo o Mercosul, os Brics e a cooperação ambiental.

Uma eventual mudança também poderá alcançar o Ministério da Defesa, atualmente comandado por José Múcio Monteiro. Segundo interlocutores ouvidos pela CNN Brasil, Lula considera a possibilidade de renovação no comando das duas áreas, embora ainda não tenha definido substitutos.

As articulações ocorrem paralelamente às discussões sobre outros ministérios, incluindo Fazenda e Casa Civil. O presidente reeleito também precisa considerar a composição do Congresso Nacional, que terá maior presença de parlamentares de direita a partir de 2027.

A formação da equipe deverá levar em conta a capacidade de negociação com partidos e governadores, além das prioridades administrativas estabelecidas para o próximo mandato.

Na área da Segurança Pública, a primeira decisão dependerá do andamento da PEC no Senado e da definição das atribuições federais previstas no texto. Já no Itamaraty, uma eventual troca poderá ser realizada por decisão presidencial.

Por enquanto, Maurício Lyrio, Camilo Santana e Fernando Haddad figuram entre os nomes em discussão. Lula não anunciou oficialmente mudanças no comando das pastas nem confirmou quem assumirá o eventual Ministério da Segurança Pública.