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Após derrota nas urnas, Zema se aproxima de Cleitinho e oferece ajuda ao novo governo de Minas

Ex-governador se reuniu com Cleitinho Azevedo e Luís Eduardo Falcão, negou interesse em cargos e colocou sua experiência à disposição da futura administração estadual.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 16:11 6 min de leitura
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Após derrota nas urnas, Zema se aproxima de Cleitinho e oferece ajuda ao novo governo de Minas

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) anunciou nesta quinta-feira (29) que se reuniu com o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e com o vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão (Republicanos) para discutir o futuro da administração estadual. Após as derrotas de seu grupo político nas eleições de outubro, Zema afirmou estar disposto a colaborar com a próxima gestão, mas descartou qualquer interesse em ocupar um cargo no novo governo.

Os encontros ocorreram na terça-feira (27), em agendas separadas. Pela manhã, Zema conversou com Falcão e, durante a tarde, esteve com Cleitinho. Foi a primeira reunião entre o ex-governador e seu sucessor eleito desde a votação de 4 de outubro, quando o senador conquistou o governo mineiro ainda no primeiro turno.

Em publicação nas redes sociais, Zema explicou que procurou os futuros dirigentes para compartilhar experiências acumuladas durante os mais de sete anos em que esteve à frente do Executivo estadual. Segundo ele, a intenção foi oferecer colaboração e manter aberto um canal de diálogo com a nova administração.

O ex-governador fez questão de afastar especulações sobre uma eventual participação no secretariado de Cleitinho. Ao comentar as reuniões, criticou a prática de utilizar encontros políticos para negociar cargos e afirmou que sua disposição é contribuir informalmente sempre que for solicitado.

Zema também mencionou a dimensão das responsabilidades que serão assumidas por Cleitinho e Falcão. Minas Gerais possui mais de 21 milhões de habitantes, além de uma extensa estrutura administrativa e demandas em áreas como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.

O ex-governador ressaltou seus vínculos pessoais e empresariais com Minas e declarou que continuará interessado no desenvolvimento do estado, independentemente de ocupar uma função pública.

Em entrevista concedida à Rede 98 na terça-feira, antes de confirmar as reuniões, Zema já havia antecipado que pretendia oferecer ajuda sem assumir qualquer função oficial. Na ocasião, afirmou que poderia compartilhar opiniões e experiências com Cleitinho sempre que fosse procurado.

A aproximação ocorre em um momento de reorganização política após as eleições estaduais.

Zema deixou o governo de Minas em março de 2026 para disputar a Presidência da República. Sua candidatura, entretanto, terminou o primeiro turno com apenas 0,27% dos votos válidos, aproximadamente 326 mil votos.

Na segunda etapa da disputa presidencial, o ex-governador apoiou Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25).

Em Minas Gerais, Zema também não conseguiu transferir seu capital político para o candidato que pretendia dar continuidade à sua administração.

O governador Mateus Simões (PSD), que assumiu o Palácio Tiradentes após a saída de Zema, disputou a eleição estadual, mas terminou na quarta colocação, com 4,65% dos votos válidos, aproximadamente 530 mil votos.

Cleitinho, por sua vez, conquistou 55,40% dos votos válidos, somando mais de 6,3 milhões de votos. O resultado garantiu sua eleição no primeiro turno, com uma vantagem expressiva sobre os demais concorrentes.

O segundo colocado foi Patrus Ananias (PT), com 26,34%, seguido por Flávio Roscoe (PL), que recebeu 6,97% dos votos válidos.

A eleição de Cleitinho representa uma mudança no comando político de Minas depois de dois mandatos consecutivos de Zema, eleito em 2018 e reeleito em 2022.

Embora ambos tenham construído parte de suas trajetórias políticas com discursos de renovação e críticas às práticas tradicionais de negociação partidária, Cleitinho chegou ao governo por um grupo diferente daquele que sustentou a administração anterior.

Durante a campanha, o governador eleito apresentou propostas de mudanças na gestão estadual e criticou decisões tomadas pelo governo Zema, especialmente em assuntos relacionados à situação financeira de Minas e à relação com o governo federal.

Uma das divergências envolveu a condução das negociações sobre a dívida do estado com a União. Cleitinho defendeu uma postura de maior diálogo com o governo federal, independentemente das diferenças políticas com o presidente da República.

A relação entre as equipes também tem sido acompanhada de questionamentos sobre medidas administrativas adotadas durante o período de transição.

Nesta quinta-feira, a futura gestão pediu esclarecimentos ao governo de Mateus Simões sobre o reajuste do vale-alimentação dos servidores estaduais, depois de constatar que a elevação do piso do benefício para R$ 100 não contemplava profissionais das forças de segurança.

A equipe de Cleitinho questionou a ausência da categoria entre os beneficiados, lembrando que o auxílio era uma demanda antiga dos servidores da segurança pública e havia sido mencionado em compromissos da administração anterior.

Apesar dessas divergências, a manifestação de Zema indica disposição para manter interlocução com os novos dirigentes do Executivo estadual.

As reuniões também ocorrem depois de o ex-governador passar por duas derrotas eleitorais relevantes: a de sua própria candidatura presidencial e a do grupo político que pretendia preservar o comando de Minas Gerais.

Por enquanto, não há informação sobre participação formal de Zema na equipe de transição, convite para assumir funções administrativas ou compromisso de apoio político permanente ao futuro governo.

O que foi anunciado publicamente é a oferta de colaboração por parte do ex-governador, que afirma estar disponível para compartilhar sua experiência sem ocupar cargos.

Cleitinho e Luís Eduardo Falcão assumirão o governo mineiro em janeiro de 2027. Até lá, a equipe eleita deverá concluir os trabalhos de transição, examinar a situação financeira do estado e definir as prioridades da nova administração.

A aproximação anunciada por Zema acrescenta um novo elemento às relações entre o grupo político que deixa o poder e os dirigentes escolhidos pelos mineiros para os próximos quatro anos.