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Após derrota de Flávio Bolsonaro, Roscoe avalia convite para integrar governo Cleitinho em Minas

Presidente da Fiemg afirma que ainda não decidiu se aceitará cargo na futura gestão e prepara sugestões de nomes para o secretariado do governador eleito.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 16:19 6 min de leitura
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Após derrota de Flávio Bolsonaro, Roscoe avalia convite para integrar governo Cleitinho em Minas

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), voltou a admitir a possibilidade de integrar o governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno das eleições de 2026. A declaração foi feita nesta quinta-feira (29), durante o evento Imersão Indústria, em Belo Horizonte, poucos dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.

Roscoe, que também concorreu ao governo mineiro neste ano, confirmou ter recebido um convite de Cleitinho para participar da futura administração estadual. Segundo o empresário, entretanto, nenhuma decisão foi tomada, e a possibilidade de assumir uma função no Executivo depende de novas conversas sobre as atribuições e os projetos que poderão ser desenvolvidos.

Em entrevista ao jornal O Tempo, o dirigente afirmou que continua avaliando a proposta e que pretende conhecer melhor as condições de uma eventual participação no governo. Ressaltou ainda que nunca ocupou um cargo no Executivo e que sua principal preocupação está relacionada à possibilidade de contribuir para a implementação de medidas voltadas ao desenvolvimento econômico de Minas Gerais.

A possibilidade de participação de Roscoe na futura administração estadual começou a ser discutida logo após a vitória de Cleitinho, em 4 de outubro. Na ocasião, o governador eleito sinalizou que pretendia dialogar com adversários da disputa eleitoral e aproveitar propostas apresentadas por diferentes candidaturas.

Entre os nomes mencionados estavam o próprio Roscoe, o atual governador Mateus Simões (PSD) e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB).

Cleitinho afirmou que sua intenção era reunir pessoas com conhecimento técnico e aproveitar iniciativas que pudessem contribuir para a administração pública, independentemente das divergências partidárias registradas durante a campanha.

O governador eleito também anunciou que discutiria a composição do secretariado com seu vice, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), e que a escolha dos futuros titulares das pastas deveria considerar a experiência e a capacidade de gestão dos convidados.

Apesar da aproximação inicial, Roscoe preferiu aguardar o resultado do segundo turno presidencial antes de avançar nas negociações.

Na semana passada, durante o lançamento do Minas Trend, o presidente da Fiemg revelou que mantinha conversas sobre a possibilidade de integrar um eventual governo federal comandado por Flávio Bolsonaro.

Como os dois são filiados ao PL, a hipótese de uma participação de Roscoe na administração federal vinha sendo considerada por aliados políticos durante a campanha.

Naquele momento, o dirigente indicou que não aceitaria imediatamente o convite de Cleitinho porque pretendia esperar a definição da eleição presidencial.

A derrota de Flávio Bolsonaro, que recebeu 48,21% dos votos válidos contra 51,79% do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alterou o cenário das articulações e recolocou em discussão a possibilidade de Roscoe participar do Executivo mineiro. Rádio Itatiaia

Nesta quinta-feira, o empresário esclareceu que ainda não retomou as conversas com Cleitinho para definir sua participação pessoal no governo. Mesmo assim, confirmou que o governador eleito solicitou sua colaboração na indicação de profissionais que possam integrar a futura equipe.

Roscoe pretende sugerir dois ou três nomes para cada área considerada prioritária, conforme as necessidades identificadas durante as conversas.

O presidente da Fiemg afirmou que a escolha de pessoas qualificadas pode contribuir para a execução de projetos e para a melhoria do ambiente de negócios no estado.

Ele também ressaltou que sua colaboração não depende necessariamente de assumir uma secretaria ou outro cargo público.

A possibilidade de contribuir com propostas, indicar profissionais e participar de discussões sobre políticas públicas permanece aberta, independentemente de uma nomeação formal.

O empresário destacou ainda que vem mantendo conversas com o governador Mateus Simões sobre iniciativas que considera importantes para Minas Gerais.

Segundo Roscoe, algumas dessas medidas poderão ser implementadas ainda durante a atual administração. Outras poderão ser encaminhadas ao próximo governo, caso não sejam concluídas até o encerramento do mandato de Simões.

O dirigente afirmou que Cleitinho demonstrou disposição para dar continuidade a propostas que considere adequadas e promover mudanças destinadas a reduzir obstáculos enfrentados por cidadãos e empresas.

A aproximação ocorre durante o processo de preparação para a transferência do comando do Executivo estadual, prevista para janeiro de 2027.

O encontro Imersão Indústria, no qual Roscoe comentou o convite, também foi dedicado à discussão dos desafios econômicos que deverão afetar o setor produtivo no próximo ano.

Promovido pela Fiemg no BH Shopping, em Belo Horizonte, o evento reúne representantes de empresas, especialistas e lideranças empresariais para debater competitividade, inovação, tributação e os custos da atividade industrial.

Durante a abertura, Roscoe manifestou preocupação com os impactos da reforma tributária e das mudanças nas regras da jornada de trabalho, especialmente sobre os custos de produção e a capacidade de adaptação das empresas.

O presidente da entidade também defendeu medidas capazes de melhorar as condições para investimentos e reduzir entraves ao funcionamento dos negócios em Minas Gerais.

As discussões sobre o setor produtivo estão entre os temas que poderão integrar a agenda de negociações com o governo eleito.

Durante a campanha, Cleitinho apresentou propostas relacionadas à redução de despesas, à eficiência administrativa e à revisão de procedimentos que dificultam a relação entre o poder público e a população.

Roscoe, por sua vez, concentrou parte de sua candidatura em propostas voltadas à gestão pública, ao desenvolvimento econômico e à redução de obstáculos à atividade empresarial.

Apesar das diferenças registradas durante a disputa eleitoral, ambos mantêm interlocução sobre possíveis iniciativas para o próximo governo.

A participação de antigos adversários na administração também faz parte da estratégia anunciada por Cleitinho para a formação de sua equipe, embora os convites não representem compromissos de nomeação.

No caso de Roscoe, a situação permanece indefinida.

O dirigente confirmou o interesse em colaborar com a futura gestão e não descartou aceitar uma função no Executivo, mas condicionou qualquer decisão ao conhecimento das atribuições e à possibilidade concreta de implementar projetos.

Até esta quinta-feira, não havia confirmação de cargo, secretaria ou data para uma nova reunião entre Roscoe e Cleitinho.

A definição deverá ocorrer no decorrer das articulações para a formação do secretariado que assumirá o governo de Minas Gerais em janeiro de 2027.