Política com conteúdo. Centro com clareza.
quinta-feira, 29 de outubro
Assinar
Agora
PT ameaça romper com bloco de Hugo Motta para barrar entrada do PL e do NovoJanones prefere ficar na Câmara e descarta disputar espaço no ministério de LulaApós derrota de Flávio Bolsonaro, Roscoe avalia convite para integrar governo Cleitinho em MinasApós derrota nas urnas, Zema se aproxima de Cleitinho e oferece ajuda ao novo governo de MinasAlberto Lage: “O antibolsonarismo ganhou. O petismo faria bem em perceber”
Política

PT ameaça romper com bloco de Hugo Motta para barrar entrada do PL e do Novo

Federação de Lula condiciona permanência na aliança à exclusão das duas siglas de oposição. Motta reúne apoio de 361 deputados, mas enfrenta disputa pelo controle de comissões e cargos na Câmara.

Por Brasil no Centro Publicado em 29 de outubro de 2026 às 16:32 7 min de leitura
Compartilhar
PT ameaça romper com bloco de Hugo Motta para barrar entrada do PL e do Novo

A formação do bloco partidário que apoia a reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), provocou um novo impasse entre o PT e as legendas de oposição. A federação formada por PT, PCdoB e PV comunicou ao parlamentar que poderá abandonar a aliança caso o PL e o Novo sejam autorizados a integrar o grupo na próxima legislatura.

A advertência foi feita apenas dois dias depois de os três partidos oficializarem apoio à recondução de Motta ao comando da Câmara. A federação, que reúne 88 deputados eleitos, pretende impedir que o PL, partido do candidato presidencial derrotado Flávio Bolsonaro (PL), amplie sua influência na distribuição de cargos da Mesa Diretora e no comando das comissões parlamentares.

Segundo informações publicadas nesta quinta-feira (29) pelo Metrópoles e pela CNN Brasil, Motta não assumiu compromisso de impedir a entrada das duas legendas. O presidente da Câmara informou, entretanto, que qualquer decisão sobre a ampliação do bloco será discutida previamente com os partidos que já participam da articulação.

A resistência petista ocorre em meio à reorganização das forças políticas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25). Embora tenha perdido a disputa presidencial, o PL conquistou 121 cadeiras na Câmara e será a maior bancada individual da Casa a partir de fevereiro de 2027.

O resultado ampliou o peso parlamentar da legenda, que passou a reivindicar maior participação nas decisões administrativas e legislativas.

A direção do partido também considera a possibilidade de lançar uma candidatura própria à Presidência da Câmara. Entre os nomes mencionados estão os deputados Altineu Côrtes (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Ao mesmo tempo, integrantes do PL avaliam que a adesão ao bloco de Motta poderia garantir maior participação na estrutura de poder da Casa, mesmo sem uma candidatura própria à presidência.

Essa possibilidade é justamente o principal motivo da resistência apresentada pelo PT.

O tamanho dos blocos parlamentares tem consequências diretas na distribuição das funções internas da Câmara.

Pelo Regimento Interno, as bancadas reunidas em um mesmo bloco passam a atuar sob uma liderança comum e são consideradas conjuntamente para a definição de prioridades na escolha de comissões e de cargos na Mesa Diretora.

Na prática, uma aliança numericamente maior consegue participar com mais força das negociações sobre quais partidos ficarão responsáveis por comissões consideradas estratégicas, como Constituição e Justiça, Finanças e Tributação e Fiscalização Financeira e Controle.

A distribuição também influencia a ocupação de espaços na administração da Casa e as negociações relacionadas à pauta legislativa.

Para o PL, ingressar na aliança de Motta representaria a possibilidade de preservar influência institucional compatível com o tamanho de sua bancada.

Para o PT, a incorporação da legenda poderia comprometer um dos objetivos políticos da aliança anunciada nesta semana: evitar que o partido de Flávio Bolsonaro controle posições centrais na próxima Câmara. Portal da Câmara dos Deputados

A articulação em torno de Hugo Motta começou antes do segundo turno presidencial.

Em 14 de outubro, dirigentes de partidos de centro anunciaram a manutenção de um bloco parlamentar para a próxima legislatura e declararam apoio à reeleição do atual presidente da Câmara.

A composição reúne União Brasil, Progressistas, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, a federação PSDB-Cidadania e outras legendas que participam das negociações.

Posteriormente, PSB e PDT também aderiram ao movimento.

A entrada da federação formada por PT, PCdoB e PV foi anunciada na terça-feira (27), ampliando o conjunto de apoios declarados para 361 deputados federais eleitos.

A adesão foi apresentada pelo líder petista Pedro Uczai (PT-SC) como uma medida destinada a facilitar a governabilidade de Lula e assegurar espaço para a discussão de projetos considerados prioritários pelo governo.

Na ocasião, dirigentes da federação também defenderam a formação de uma maioria capaz de impedir que o PL conquistasse a Presidência da Câmara.

A participação do PSDB na aliança antecede a entrada do PT.

A federação PSDB-Cidadania integra o grupo de partidos de centro que anunciou, em outubro, apoio à recondução de Motta. A decisão foi tomada no contexto de uma articulação multipartidária voltada à manutenção de um bloco parlamentar com capacidade de negociação na próxima legislatura.

O apoio à reeleição do presidente da Câmara não significa, necessariamente, alinhamento entre as posições dos partidos em relação ao governo federal.

O PSDB, por exemplo, anunciou que permanecerá na oposição a Lula durante seu quarto mandato, mesmo depois de reconhecer oficialmente o resultado das eleições presidenciais.

A presença simultânea de legendas governistas e oposicionistas no bloco demonstra que a eleição da Mesa Diretora envolve negociações institucionais que não reproduzem integralmente as alianças formadas durante a disputa pelo Palácio do Planalto.

A ameaça de saída apresentada pelo PT, entretanto, acrescenta uma condição política à continuidade dessa composição.

Caso o PL e o Novo sejam incorporados, a federação petista poderá rever sua participação na aliança, embora nenhuma decisão de rompimento tenha sido formalizada até o momento.

Hugo Motta, por sua vez, terá de administrar interesses divergentes entre partidos que defendem a ampliação do bloco e aqueles que querem restringir a participação de determinadas legendas.

A eleição para a Presidência da Câmara ocorrerá em fevereiro de 2027, quando os deputados eleitos em outubro tomarão posse.

Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos dos integrantes da Casa, equivalente a 257 votos.

Embora Motta já reúna o apoio de partidos que somam 361 parlamentares, essa quantidade representa o total de cadeiras das legendas que aderiram à articulação, e não uma garantia de votos.

A eleição é realizada por votação secreta, e cada deputado poderá decidir individualmente seu posicionamento.

Além disso, eventuais candidaturas alternativas e mudanças nas alianças poderão alterar o cenário até fevereiro.

O impasse desta quinta-feira também envolve a definição do espaço que a oposição ocupará no Congresso durante o próximo mandato presidencial.

O PL chega à nova legislatura com a maior bancada da Câmara, enquanto o PT, com 70 deputados, dependerá de acordos com outras legendas para aprovar as propostas do Executivo.

A composição dos blocos poderá influenciar diretamente a escolha dos presidentes de comissões que examinarão projetos relacionados ao Orçamento, à política tributária, à segurança pública e às medidas econômicas anunciadas durante a campanha.

O resultado dessas negociações também afetará a capacidade de fiscalização do governo e a participação dos partidos nas decisões legislativas.

Por enquanto, o presidente da Câmara não anunciou uma decisão sobre a eventual entrada do PL e do Novo no grupo de apoio à sua reeleição.

A federação petista mantém a ameaça de deixar a aliança, enquanto o PL avalia alternativas para transformar sua força eleitoral em maior participação na estrutura da Câmara.

Com pouco mais de três meses até a eleição da nova Mesa Diretora, Hugo Motta terá de conciliar a busca por uma maioria ampla com as condições impostas por partidos que possuem interesses distintos sobre o funcionamento da próxima legislatura.