Eduardo quer apoiar Flávio, que articula candidatura de Tarcísio

A crise que se instalou no núcleo político da família Bolsonaro após a prisão do ex-presidente tem acelerado movimentos estratégicos para 2026. Sem a possibilidade de Jair Bolsonaro disputar a Presidência e morando nos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou em entrevista ao Poder360 que pretende apoiar o irmão, o senador Flávio Bolsonaro, como nome do bolsonarismo na próxima eleição presidencial.
Segundo Eduardo, seu apoio estará condicionado à identidade do candidato com o público bolsonarista. Ele afirmou que não cogita apoiar nomes fora desse campo e que não pretende apresentar “gato por lebre” aos seus seguidores. Para ele, caso não haja nenhum postulante alinhado ao que considera o sentimento do bolsonarismo, a estratégia será optar por quem julgar “menos pior”, mas sem alimentar falsas expectativas.
Questionado sobre outro nome que represente integralmente a base bolsonarista, Eduardo foi direto ao ponto ao responder que não existe.
O cenário, no entanto, é mais complexo do que a declaração sugere. Enquanto Eduardo tenta consolidar o nome de Flávio, o próprio senador tem feito movimentos públicos em direção ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Flávio tem se aproximado do governador em agendas e declarações, reforçando a sinalização de apoio.
Em 14 de novembro, o senador publicou uma foto ao lado de Tarcísio e escreveu que os dois estarão juntos com Jair Bolsonaro “em qualquer cenário”. Dias antes, em 7 de novembro, Flávio parabenizou a indicação de Wagner Rosário ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e aproveitou para exaltar o governador, mencionando sua “certeira indicação” e reforçando laços políticos.
A postura de Flávio indica que, apesar de ser considerado por Eduardo como o nome natural do bolsonarismo, ele próprio articula a construção de uma candidatura robusta em torno de Tarcísio, cujo nome ganha força nacional.
O bolsonarismo, dividido entre estratégia, pragmatismo e lealdade familiar, chega ao fim de 2025 com mais perguntas do que respostas sobre quem representará o movimento em 2026. Enquanto isso, Eduardo, distante do país, e Flávio, cada vez mais alinhado a Tarcísio, desenham cenários distintos para o futuro da direita no Brasil.