Eduardo Cunha expande presença em Minas com diversas rádios e será candidato a Deputado Federal

O presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recebe o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para tratar da Lei de Responsabilidade das Estatais. (E/D): senador Renan Calheiros (PMDB-AL); presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
Dez anos depois de ter o mandato cassado, Eduardo Cunha volta a se movimentar com intensidade no tabuleiro político nacional. O ex-presidente da Câmara dos Deputados escolheu Minas Gerais como base de seu projeto de retorno ao Congresso, com foco especial no Triângulo Mineiro e na Zona da Mata.
A estratégia combina três frentes conhecidas. Religião, agronegócio e futebol. Em Minas, Cunha estruturou uma rede de rádios evangélicas que operam em cidades como Belo Horizonte, Uberaba e Guarani, todas com o mesmo nome e sob controle direto ou indireto de familiares. Em algumas delas, o próprio ex-deputado participa da programação, com leitura de trechos bíblicos e mensagens religiosas.
Uberaba foi definida como centro político da operação. Além da presença em cultos evangélicos, Cunha passou a frequentar eventos do agronegócio, como a Expozebu, e se aproximou de lideranças locais. Também se tornou patrocinador do Uberaba Sport Club, reforçando a estratégia de inserção social e territorial.
Paralelamente, Cunha mantém intensa atuação em Brasília. Mesmo sem mandato, circula entre gabinetes, articula com aliados históricos e acompanha de perto o cotidiano da Câmara, utilizando a estrutura política da filha, a deputada federal Dani Cunha. O ex-parlamentar também tem sido visto em encontros com figuras centrais do Congresso e do Executivo, sinalizando que segue influente nos bastidores.
Filiado ao Republicanos, partido que possui forte capilaridade municipal em Minas Gerais, Cunha pretende disputar uma vaga de deputado federal pelo estado em 2026. A escolha por Minas evita concorrência direta com a filha no Rio de Janeiro e se ancora em um eleitorado conservador, religioso e ligado ao setor produtivo.
O principal obstáculo segue sendo jurídico. Cunha ainda enfrenta inelegibilidade decorrente da cassação de 2016, com prazo previsto até 2027. Ele aposta em mudanças legislativas, decisões judiciais e na reinterpretação dos marcos legais para viabilizar sua candidatura já em 2026.
A movimentação de Eduardo Cunha revela mais do que uma tentativa individual de retorno. Ela expõe como lideranças afastadas formalmente do poder seguem encontrando caminhos para reorganizar influência, explorar brechas institucionais e disputar espaço político em um sistema ainda marcado por fragilidades de controle e memória eleitoral curta.