PP ameaça lançar candidato contra Tarcísio e rachar união da direita em São Paulo

PP ameaça lançar candidato contra Tarcísio e rachar união da direita em São Paulo
Insatisfeito com espaço no governo paulista, partido pressiona por apoio e sinaliza candidatura própria em 2026

A relação entre o PP e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entrou em rota de tensão e pode comprometer a unidade da direita no maior colégio eleitoral do país. Mesmo integrando a base do governo estadual, o partido passou a ameaçar o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.

A insatisfação gira em torno do que dirigentes do PP classificam como falta de atenção do governo aos parlamentares e prefeitos da sigla. O principal ponto de atrito é a avaliação de que Tarcísio não estaria oferecendo apoio suficiente à pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite ao Senado.

Em nota divulgada pelo diretório estadual, o partido afirma haver um crescente descontentamento entre prefeitos progressistas com a condução política do governo paulista. O comunicado cita dificuldades de comunicação, distanciamento institucional e ausência de interlocução efetiva com a direção partidária, tanto em nível estadual quanto nacional.

Diante desse cenário, o PP passou a discutir internamente a possibilidade de apresentar um nome próprio na disputa pelo governo de São Paulo, mesmo com Tarcísio já se colocando como candidato à reeleição. Entre os nomes ventilados estão o de Filipe Sabará, que já atuou em gestões ligadas a João Doria e hoje transita no meio empresarial, e o do deputado federal Ricardo Salles, atualmente filiado ao Novo.

A estratégia do PP também está conectada ao cenário nacional. Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, dirigentes avaliam que seria estratégico ter em São Paulo um governador mais alinhado ao projeto nacional da legenda, facilitando a montagem das chapas proporcionais em 2026.

A tensão aumentou após a saída de Derrite da Secretaria de Segurança Pública, em novembro. O deputado deixou o cargo para retornar à Câmara e se dedicar à agenda legislativa e eleitoral. Com sua saída, o PP perdeu espaço no primeiro escalão do governo paulista. Para o comando da pasta, Tarcísio escolheu Osvaldo Nico Gonçalves, delegado com mais de quatro décadas de atuação na Polícia Civil e até então secretário-executivo da área.

Atualmente, o PP conta com 54 prefeitos em São Paulo e vê o Estado como peça central para seus planos eleitorais. A sinalização de candidatura própria é, ao mesmo tempo, um movimento de pressão sobre o governo Tarcísio e um teste de força dentro do campo da direita paulista.