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Governo começa 2026 em ritmo de campanha, com metade dos ministros disputando eleições.

Por Brasil no Centro Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 15:11 3 min de leitura
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Governo começa 2026 em ritmo de campanha, com metade dos ministros disputando eleições.

O ano de 2026 começou oficialmente eleitoral dentro do governo federal. Com a aproximação do prazo de desincompatibilização, o Palácio do Planalto se prepara para uma das maiores reformulações ministeriais desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estimativa interna é que quase metade dos ministros deixe seus cargos até abril para disputar eleições estaduais, federais ou atuar diretamente nas campanhas.

A estratégia do governo é clara: evitar paralisia administrativa em um ano decisivo para a tentativa de reeleição presidencial. Para isso, Lula decidiu priorizar soluções “caseiras”, promovendo secretários-executivos — os chamados números dois das pastas — para manter o funcionamento regular de obras, programas e entregas.

Em conversas recentes, o próprio presidente admitiu que a saída pode envolver de 18 a 22 ministros. A decisão não será barrada pelo Planalto. Pelo contrário: Lula pretende conversar individualmente com os auxiliares que sairão, alinhando os movimentos políticos e garantindo uma transição rápida.

Algumas mudanças devem ocorrer mesmo antes de abril. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que deve deixar o cargo nos próximos meses, ainda que não dispute eleição. O mesmo vale para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que considera encerrada sua missão no governo. Em ambos os casos, a tendência é de continuidade técnica, com a ascensão de seus secretários-executivos.

No núcleo do Planalto, as alterações também serão profundas. A Casa Civil deve ser impactada pela saída de Rui Costa, que se prepara para disputar o Senado pela Bahia. Já a Secretaria de Relações Institucionais pode mudar de comando com a possível candidatura de Gleisi Hoffmann à reeleição no Paraná. A Secretaria de Comunicação Social também está no radar, diante da possibilidade de o atual titular assumir o marketing da campanha presidencial.

Fora do Planalto, a lista de ministros cotados para disputar eleições é extensa e atravessa diferentes partidos da base governista. Há pré-candidatos ao Senado, governos estaduais e à Câmara dos Deputados. Em alguns casos, como nos ministérios de Infraestrutura, Meio Ambiente e Planejamento, a sucessão deve ocorrer com nomes técnicos já integrados às equipes.

O pano de fundo dessa movimentação é político e eleitoral. Com índices de aprovação ainda instáveis, o governo busca manter ritmo administrativo enquanto reorganiza forças para a disputa de 2026. A aposta é que a transição silenciosa nos ministérios permita ao presidente focar na agenda política sem perder o controle da máquina pública.

Na prática, o governo começa o ano funcionando em dois trilhos: gestão e campanha. E, a partir de abril, a Esplanada dos Ministérios terá uma nova configuração, mais enxuta politicamente, mas profundamente moldada pela lógica eleitoral.