
O ministro Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2026. A troca de comando está prevista para junho, com o fim do mandato da ministra Cármen Lúcia, colocando à frente da Justiça Eleitoral um magistrado indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Atual vice-presidente do TSE, Nunes Marques integra a Corte desde 2023 e é visto como um juiz de perfil discreto e reservado. Sua chegada ao posto máximo do tribunal eleitoral ocorrerá em um contexto político sensível, marcado pela forte polarização, pelo uso intensivo de tecnologias digitais nas campanhas e pelo fato de ser a primeira eleição nacional após a condenação e prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe.
A nova composição da cúpula do TSE também inclui outro indicado pelo ex-presidente. O ministro André Mendonça assumirá a vice-presidência da Corte, formando uma dupla considerada mais conservadora dentro do Supremo. Em declarações recentes, Mendonça destacou a intenção de conduzir o tribunal com discrição, imparcialidade e respeito ao contraditório, buscando reduzir tensões institucionais ao longo do processo eleitoral.
Embora aliados de Bolsonaro apostem em uma mudança de postura do TSE em temas como liberdade de expressão, propaganda digital e uso de inteligência artificial, especialistas avaliam que a troca de comando não altera, por si só, a linha institucional da Corte. As decisões seguem sendo colegiadas, e as políticas de combate à desinformação e de defesa do sistema eleitoral permanecem ancoradas na legislação vigente.
Ainda assim, a presidência de Nunes Marques adiciona um novo elemento ao cenário de 2026. Em uma eleição descrita como uma das mais complexas desde a redemocratização, a atuação do TSE será central para garantir previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade democrática em meio a disputas cada vez mais acirradas.