
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou 2025 com um número recorde de denúncias de assédio moral no âmbito da administração federal. Ao todo, foram 7.227 registros encaminhados às ouvidorias de órgãos públicos, o equivalente a cerca de 20 denúncias por dia, segundo dados consolidados pela Controladoria-Geral da União (CGU).
O volume representa um aumento de 62% em relação a 2024 e um salto de quase 600% na comparação com 2020, quando pouco mais de mil denúncias haviam sido formalizadas. As reclamações foram distribuídas entre 301 órgãos federais, com destaque para a própria CGU, que concentra registros de servidores de diferentes áreas, além dos ministérios do Trabalho e da Saúde.
De acordo com a Controladoria, o crescimento não pode ser interpretado automaticamente como avanço dos casos. A pasta afirma que a alta está ligada, sobretudo, à maior conscientização sobre o tema, ao fortalecimento dos canais de denúncia e a ações de comunicação e treinamento voltadas à prevenção e ao enfrentamento do assédio no serviço público.
Mesmo assim, os números revelam um desafio estrutural. Parte das denúncias não avança por falta de informações mínimas para apuração, como identificação dos envolvidos ou descrição detalhada dos fatos. Ainda assim, especialistas apontam que o aumento dos registros indica maior confiança dos servidores nos mecanismos institucionais e também expõe fragilidades persistentes no ambiente de trabalho do Estado.
Segundo definição da CGU, assédio moral envolve condutas abusivas repetidas, como humilhação, constrangimento e intimidação, capazes de causar danos psicológicos, físicos e profissionais às vítimas. Embora existam sanções administrativas e trabalhistas, um projeto de lei que criminaliza a prática tramita há mais de duas décadas no Congresso e segue sem conclusão no Senado.