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Política

Lula tem mais aprovação do que em 2006, mas enfrenta mais obstáculos para se reeleger

Por Brasil no Centro Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 11:36 3 min de leitura
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Lula tem mais aprovação do que em 2006, mas enfrenta mais obstáculos para se reeleger

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a 2026 em situação curiosa. Os índices de aprovação do seu governo são hoje mais altos do que aqueles registrados no início de 2006, quando conquistou a primeira reeleição. Ainda assim, o ambiente político, econômico e social indica que a disputa pela permanência no Palácio do Planalto será bem mais difícil do que há 20 anos.

Dados recentes de pesquisas nacionais mostram que a avaliação positiva do governo Lula se recuperou ao longo de 2025, após um período de desgaste. A aprovação atual supera os cerca de 28% de ótimo e bom registrados no início de 2006, auge da crise do mensalão. Naquele momento, apesar do escândalo político, o país vivia um ciclo econômico favorável, com crescimento acelerado, inflação sob controle e mercado de trabalho em expansão fatores que ajudaram Lula a virar o jogo eleitoral.

Em 2026, o cenário é distinto. Embora a inflação dos alimentos tenha desacelerado e o desemprego esteja em patamar historicamente baixo, a economia dá sinais de perda de fôlego, pressionada por juros ainda elevados e por incertezas fiscais. Analistas avaliam que, diferentemente de 2006, o país entra no ano eleitoral com expectativa de crescimento mais modesto, o que reduz a margem de conforto do governo.

Além disso, a segurança pública se consolidou como uma das maiores preocupações do eleitorado. Pesquisas indicam que a violência já ocupa o topo da lista de problemas nacionais, especialmente entre mulheres e jovens. O governo federal não conseguiu avançar em 2025 com suas principais propostas para o setor, o que abre espaço para que o tema seja explorado de forma intensa pela oposição.

Outro desafio é o perfil do eleitor decisivo. Em 2006, as redes sociais não tinham peso relevante no debate público. Hoje, a disputa ocorre em um ambiente digital fragmentado, altamente polarizado e com circulação rápida de narrativas. Grupos como trabalhadores informais, motoristas e entregadores de aplicativos ganharam protagonismo eleitoral, mas seguem pouco conectados às políticas tradicionais do PT.

Mesmo assim, Lula se beneficia de um quadro oposicionista desorganizado. A prisão e a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, a ausência de um nome unificado na direita e episódios internacionais que reforçaram o discurso de soberania nacional acabaram, até aqui, favorecendo o presidente. Ainda assim, cientistas políticos alertam que popularidade moderada não é sinônimo de reeleição garantida.

A avaliação predominante é que a eleição de 2026 será decidida por uma margem estreita. Com metade do país inclinada contra o governo e outra metade favorável, um pequeno contingente de eleitores voláteis tende a definir o resultado. Para vencer, Lula precisará não apenas preservar a aprovação atual, mas apresentar sinais claros de renovação política, respostas concretas à insegurança e capacidade de dialogar com novos segmentos sociais.