
O governador de Antonio Denarium afirmou que teme uma nova onda de entrada de refugiados venezuelanos em Roraima, após a escalada da crise política e militar na Venezuela. Diante do risco de colapso nos serviços públicos, Denarium pediu ao governo federal o fechamento provisório da fronteira, medida que acabou sendo adotada horas depois pela Polícia Federal.
Segundo o governador, o estado já opera no limite para absorver a população migrante que entra pelo município de Pacaraima. Atualmente, entre 300 e 500 venezuelanos cruzam a fronteira diariamente, número que, segundo ele, pode subir rapidamente para patamares semelhantes aos de 2019, quando chegaram a 1.500 pessoas por dia, ou até ultrapassar esse volume.
Denarium argumenta que a dimensão do problema é desproporcional à capacidade do estado. Hoje, estima-se que cerca de 190 mil venezuelanos vivam em Roraima, em um território com aproximadamente 700 mil habitantes. Na avaliação do governo estadual, essa pressão impacta diretamente áreas sensíveis, como saúde, segurança pública e assistência social.
De acordo com o governador, aproximadamente 30% dos gastos estaduais com saúde seriam destinados ao atendimento da população migrante. Ele também afirma que uma parcela relevante das ocorrências criminais no estado envolve imigrantes, o que, segundo sua visão, agrava a sensação de insegurança e sobrecarrega as forças locais.
O governador relatou ter levado a preocupação a ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo que o fechamento temporário da fronteira seja mantido enquanto durar o período de instabilidade no país vizinho. Paralelamente, ele cobra reforço da Operação Acolhida, programa federal que promove a interiorização de refugiados para outros estados atualmente, cerca de 2 mil pessoas por mês deixam Roraima por meio dessa iniciativa.
Para Denarium, a crise escancara um dilema nacional. Ele afirma que o Brasil precisa equilibrar o compromisso humanitário com a realidade fiscal e social dos estados fronteiriços, evitando que regiões mais frágeis arquem sozinhas com os efeitos de uma crise internacional prolongada.