
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, fez duras críticas à condução econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva e alertou para o risco de uma crise fiscal em 2027, impulsionada pelo aumento de gastos em 2026, ano eleitoral. Para ele, o país caminha para uma “explosão das contas públicas” caso não haja correção de rumos ainda no curto prazo.
Segundo Alban, decisões recentes do governo refletem o que classificou como “irracionalidades populistas”, adotadas em um ambiente de forte polarização política, o que, na avaliação do setor industrial, tem dificultado o diálogo técnico e a construção de consensos mínimos sobre o ajuste fiscal.
Um dos principais alvos das críticas foi a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Para o dirigente, o tema é inadequado no atual contexto de pleno emprego, baixa produtividade e elevada pressão sobre os gastos públicos. Alban argumenta que o Brasil já opera, na prática, com uma jornada média de 44 horas semanais e que reduzir ainda mais o tempo de trabalho sem ganhos de produtividade tende a elevar custos, pressionar a folha salarial e agravar o desequilíbrio fiscal.
No campo tributário, o presidente da CNI também questionou a estratégia do governo de promover cortes lineares em incentivos fiscais e de concentrar o discurso no aumento de impostos. Para ele, o Executivo evita enfrentar o problema central do Orçamento. O crescimento contínuo das despesas. Alban defende que qualquer ajuste responsável deveria começar pela revisão dos gastos, inclusive nos três Poderes, e não apenas pelo lado da arrecadação.
A política monetária também entrou no radar das críticas. Alban avaliou que o nível elevado da taxa de juros trava o consumo, inibe investimentos e contribui para uma desaceleração econômica em 2026, que pode resultar no menor crescimento desde a pandemia. Ainda assim, ressalta que o estímulo fiscal tem impedido um cenário mais negativo, o que, paradoxalmente, aumenta o risco para os anos seguintes.
Na visão do setor industrial, o cenário que se desenha é preocupante. Sem disposição política para conter despesas em 2026, a conta tende a ficar para o próximo governo, independentemente de quem vença a eleição. Para Alban, faltou ao Planalto ouvir mais o setor produtivo e construir soluções mais racionais e sustentáveis para o crescimento do país.