“O celular será o campo de batalha das eleições”, afirma Zuza Nacif, um dos principais marqueteiros do país

Estratégia de "hipersegmentação" digital será o diferencial nas eleições de 2026, mudando a dinâmica do voto e colocando as campanhas políticas cada vez mais no celular.

“O celular será o campo de batalha das eleições”, afirma Zuza Nacif, um dos principais marqueteiros do país

Zuza Nacif, estrategista político e digital, acredita que as eleições de 2026 serão decididas no celular. Em uma análise provocadora, Nacif destaca que o ambiente digital se consolidou como o principal campo de batalha das campanhas políticas, superando os tradicionais horários eleitorais da televisão. Segundo ele, a estratégia de hipersegmentação, utilizando ferramentas de inteligência artificial e as plataformas de impulsionamento no celular, será fundamental para alcançar eleitores de diferentes perfis, uma abordagem muito mais personalizada do que os métodos tradicionais de comunicação política.

O CEO da Brasil Comunicação vê uma grande mudança no processo eleitoral, afirmando que a capacidade de nichar discursos será o ponto de virada. “O celular vai permitir que você destrinche o discurso, criando mensagens direcionadas para cada pessoa”, afirma Nacif. Ele explica que as plataformas digitais, como Facebook, Instagram, TikTok, entre outras, oferecem uma segmentação que a televisão não consegue proporcionar, pois o conteúdo é generalizado e depende do público estar assistindo naquele momento.

Inspirado pela campanha histórica de Barack Obama em 2012, que utilizou mais de 1.600 segmentos de público para sua reeleição, Nacif acredita que a inteligência artificial vai aprofundar ainda mais essa segmentação. A IA permite rastrear perfis, identificar suas preferências e criar propostas que falem diretamente às questões que importam para cada grupo, seja de direita ou de esquerda. “Hoje temos eleitores que transitam entre diferentes pautas ideológicas e isso precisa ser abordado com soluções concretas, não apenas rótulos ideológicos”, completa o especialista.

O estrategista também cita as eleições municipais de 2024 como um exemplo de como a comunicação digital pode rivalizar com as campanhas tradicionais. O candidato Pablo Marçal (PRTB), que fez uma campanha 100% digital e se concentrou nas preferências da Geração Z, teve um desempenho surpreendente, recebendo quase 30% dos votos em São Paulo, e mostrou que a estratégia digital tem um grande potencial para romper as estruturas tradicionais de poder.

Nacif conclui que o grande diferencial nas eleições de 2026 será a capacidade de dialogar com o eleitorado cansado da polarização ideológica. O eleitor quer saber quais propostas concretas serão apresentadas, e não mais debates sobre rótulos políticos. “As pessoas estão exaustas de discutir direita ou esquerda. O que elas querem agora é saber como a política vai impactar sua vida no dia a dia”, afirma Nacif.