Número de moradores de rua cresce 40% em Minas durante governo Zema

Minas Gerais vive um avanço preocupante da pobreza extrema e da exclusão social. Durante a gestão do governador Romeu Zema (Novo), o estado chegou a um patamar inédito no cenário nacional: passou a ocupar o 3º lugar no ranking brasileiro de população em situação de rua, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
De acordo com levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), vinculado ao programa Pólos de Cidadania da UFMG, o número de pessoas vivendo nas ruas em Minas saltou de 23,4 mil, em 2020, para 33,1 mil em dezembro de 2025. Na prática, o dado representa crescimento acima de 40% em cinco anos, em meio ao enfraquecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento, reinserção e garantia de direitos básicos.
Quem são os invisíveis
O estudo também detalha o perfil social de quem vive essa realidade. Sete em cada dez pessoas em situação de rua são negras, e metade não concluiu o ensino fundamental, evidenciando o peso do racismo estrutural e da exclusão educacional como fatores centrais no ciclo da miséria.
Especialistas apontam que o fenômeno não é isolado nem eventual. Ao contrário: seria consequência de escolhas administrativas e orçamentárias que, ao longo dos anos, reduziram a capacidade do estado de oferecer proteção social mínima diante do aumento de vulnerabilidades.
Orçamento encolhe enquanto a rua cresce
A contradição aparece também nos números do orçamento. A área de assistência social, principal porta de entrada para políticas de acolhimento e atendimento da população em situação de rua, recebe menos de 0,2% do orçamento estadual.
Para 2026, o governo prevê um orçamento total de R$ 141,7 bilhões, mas destina menos de R$ 131 milhões para assistência social, valor considerado insuficiente para manter e ampliar estruturas como centros de referência, abrigos, repúblicas, serviços especializados e equipes de atendimento direto nas ruas.
O resultado já está nas cidades: filas por vagas em abrigo, falta de leitos, atendimento fragmentado e um crescimento contínuo do número de pessoas em situação de abandono.
Um desafio que exige ação, não discurso
O aumento da população em situação de rua não é apenas estatística. É um alerta sobre falhas profundas do Estado em garantir o básico: moradia, renda, saúde mental, combate à dependência química e reinserção social.
Minas, hoje, vive o paradoxo de um governo que fala em eficiência, mas vê a pobreza extrema bater recordes e a rua se transformar em destino permanente para milhares de famílias.