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Advogado da JBS comprou resort da família Toffoli em 2025; esposa do ministro também advoga para a empresa

Por Brasil no Centro Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 11:15 2 min de leitura
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Advogado da JBS comprou resort da família Toffoli em 2025; esposa do ministro também advoga para a empresa

Um resort localizado no interior do Paraná, que até recentemente tinha como acionistas irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, passou a ser controlado por um advogado com atuação histórica para a JBS, maior grupo frigorífico do país.

O empreendimento, o Tayayá Resort, situado em Ribeirão Claro, teve sua estrutura societária alterada entre o fim de 2024 e setembro de 2025, quando foi concluída a transferência das participações da família do ministro para o advogado Paulo Humberto Costa. Ele presta serviços jurídicos à JBS desde 2008, conforme admitido pelo próprio.

A operação chama atenção pelo contexto institucional. Toffoli é relator, no STF, de um inquérito sigiloso que investiga o Banco Master, caso que envolve fundos e empresas citadas em operações financeiras consideradas irregulares por órgãos de controle. Ao mesmo tempo, o magistrado tem imposto restrições ao acesso da Polícia Federal às provas reunidas no processo.

Além da relação com a JBS, o advogado que assumiu o controle do resort é sócio de uma empresa de aluguel de aeronaves, que reúne em seu quadro societário executivos e familiares ligados ao grupo Batista. Um fundo de investimento associado à empresa Reag, citada em investigações sobre lavagem de dinheiro, também realizou aportes milionários no empreendimento turístico.

Relatórios enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União apontam que o Banco Master e fundos ligados à Reag estruturaram operações em desacordo com normas do sistema financeiro, com falhas graves de gestão de risco e liquidez. Mesmo assim, o caso segue cercado por sigilo no Supremo.

Paulo Humberto Costa afirma que o investimento no resort é exclusivamente empresarial e nega qualquer relação comercial com o ministro. Diz ainda que sua atuação para a JBS foi reduzida ao longo de 2025. A empresa, por sua vez, declarou que não mantém vínculo com os demais negócios do advogado.

O episódio reacende o debate sobre conflitos de interesse, transparência e a necessidade de limites claros entre relações privadas, grandes grupos econômicos e o exercício de funções centrais no Judiciário brasileiro.