
O presidente do PSDB em São Paulo, Paulo Serra, comentou sobre a relação da legenda com o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao longo dos últimos quatro anos, ressaltando que o partido deu apoio incondicional na Assembleia Legislativa, sempre colocando os interesses do estado acima de divergências partidárias. Apesar disso, Serra afirmou que o PSDB não teve participação efetiva em decisões estratégicas e sofreu um processo de desmonte político em algumas áreas, muitas vezes conduzido com instrumentos vinculados aos palácios do Bandeirantes, em referência à cooptação de prefeitos e deputados tucanos pelo PSD de Gilberto Kassab.
“O PSDB é credor do governo Tarcísio. Mesmo com apoio leal, não tivemos participação concreta em decisões importantes”, afirmou Serra, destacando a necessidade de visibilidade para o papel da legenda.
O tucano acrescentou que, durante a janela partidária, ocorreram conversas com o governador sobre a montagem das chapas, mas que o apoio prometido não se concretizou. Diante disso, o PSDB estruturou suas próprias candidaturas a deputado federal, apoiando-se em seus quadros, militância e história consolidada. Um sintoma claro das divergências foi a saída do ex-presidente estadual Marco Vinholi para o Republicanos, no último dia do prazo de filiações. Vinholi era considerado um dos nomes mais competitivos do PSDB para a Câmara Federal.
Serra também reforçou que o processo de reorganização do partido se estende a outros estados e que a atuação do PSDB busca fortalecer a representação do partido nas eleições de 2026.
Nas pesquisas de intenção de voto, Serra aparece com cerca de 5%, um percentual que pode representar um desafio para Tarcísio em sua meta de reeleição ainda no primeiro turno em um cenário polarizado com o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Além de Serra, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), que também registra cerca de 5% das intenções, tem articulado com o PSDB a construção de uma frente de terceira via para tentar romper a polarização entre Tarcísio e Haddad.