
Belo Horizonte vive uma movimentação política que pode redesenhar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais para as eleições de 2026. O ex-presidente da Câmara Municipal da capital, Gabriel Azevedo (MDB), passou a ser visto por diferentes correntes como um nome com potencial para ocupar esse espaço, diante da indefinição do Partido dos Trabalhadores no estado.
O ex-vereador, que construiu trajetória política afirmando manter diálogo amplo com diferentes campos ideológicos, vem intensificando conversas com lideranças de partidos do centro e da centro-esquerda. Apesar disso, sua possível aproximação com o PT ainda enfrenta resistência em parte da militância, que recorda embates do passado e demonstra cautela em relação ao movimento.
Nos bastidores, porém, essa resistência começa a ser relativizada diante da dificuldade de o partido encontrar alternativas com viabilidade eleitoral competitiva em Minas Gerais. A leitura interna é de que a ausência de nomes fortes pode abrir espaço para composições mais pragmáticas no estado.
Um dos sinais mais recentes de aproximação envolve uma possível agenda entre o presidente estadual do MDB, Newton Cardoso Júnior, e a presidente do PT mineiro, deputada Leninha (PT-MG), o que reforça a movimentação de bastidores em torno de uma eventual construção conjunta.
Gabriel Azevedo (MDB) também tem ampliado sua agenda política. Ele deve se reunir com o presidente estadual do PSB em Minas Gerais, Otacílio Costa, em Conceição do Mato Dentro, além de manter diálogo com outras lideranças partidárias. Entre os interlocutores estão ainda o deputado federal Fred Costa (PRD) e representantes do União Brasil no estado, como o ex-deputado Bilac Pinto.
Dentro do Partido dos Trabalhadores, a avaliação é dividida. Parte da base defende a busca por novos arranjos políticos diante do cenário eleitoral, enquanto outros setores demonstram resistência ao nome do ex-vereador, citando antigos atritos e seu histórico de atuação política em diferentes frentes partidárias.
Mesmo assim, a leitura de alguns quadros petistas é de que o cenário atual limita alternativas. Em uma avaliação interna, um dirigente resumiu o impasse ao afirmar que há desconforto, mas também falta de opções viáveis para a disputa estadual.
A própria base do partido reconhece que outras possibilidades já foram consideradas, incluindo nomes como o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), mas que a construção de uma candidatura competitiva segue em aberto.
Procurado, Gabriel Azevedo afirmou que as articulações em curso envolvem um conjunto mais amplo de forças políticas e que o momento exige diálogo entre diferentes setores.