Brasil tem déficit de US$ 3,2 bilhões nas contas internas somente no mês de maio

Balanço das transações externas mostra leve melhora em relação a 2025, mas déficit segue pressionado por saída de recursos e aumento de remessas ao exterior

Brasil tem déficit de US$ 3,2 bilhões nas contas internas somente no mês de maio

O Brasil registrou um déficit de US$ 3,2 bilhões nas transações correntes do balanço de pagamentos no mês de maio de 2026. O resultado representa uma leve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo negativo havia sido de US$ 3,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira.

O cálculo das transações correntes inclui a balança comercial, os serviços consumidos por brasileiros no exterior e a movimentação de renda entre países, como pagamento de juros, lucros e dividendos enviados ao exterior.

Apesar do déficit nas contas externas, a balança comercial apresentou superávit de US$ 7 bilhões no mês, acima dos US$ 6,4 bilhões registrados em maio de 2025. As exportações somaram US$ 32 bilhões, com crescimento de 6,4% na comparação anual, enquanto as importações atingiram US$ 25,1 bilhões, avanço de 5,9%.

Mesmo com o desempenho positivo do comércio exterior, o resultado final foi pressionado pela conta de renda primária, que registrou déficit de US$ 5,5 bilhões, mantendo o mesmo patamar do ano anterior. Dentro desse grupo, as remessas de lucros e dividendos somaram US$ 4,2 bilhões, aumento de 6,8% em relação a 2025. Já os pagamentos de juros caíram para US$ 1,4 bilhão, recuo de 18,1%.

O Banco Central também informou que as reservas internacionais brasileiras chegaram a US$ 371,1 bilhões em maio, com alta de US$ 4,2 bilhões na comparação com abril. O resultado foi influenciado por operações financeiras de linha com recompra e pelo ingresso de receitas de juros, parcialmente compensados por efeitos cambiais.

No campo dos investimentos, o país registrou entrada líquida de US$ 8 bilhões em investimento direto, mais que o dobro do volume observado em maio de 2025. Desse total, US$ 7,4 bilhões foram em participação no capital de empresas, incluindo lucros reinvestidos, enquanto US$ 0,6 bilhão veio de operações entre companhias.

No acumulado de 12 meses, o investimento direto no Brasil chegou a US$ 83,3 bilhões, equivalente a 3,38% do Produto Interno Bruto. O resultado representa leve avanço em relação ao mês anterior e também superior ao registrado no mesmo período de 2025.