EUA preparam novas tarifas sobre trabalho forçado e Brasil pode ser taxado em 12,5%

Governo americano deve anunciar alíquotas para 60 países; política afeta exportações brasileiras e setores produtivos já se mobilizam

EUA preparam novas tarifas sobre trabalho forçado e Brasil pode ser taxado em 12,5%

Os Estados Unidos devem anunciar nos próximos dias novas tarifas comerciais sobre produtos de aproximadamente 60 países, incluindo o Brasil, que pode ser taxado em 12,5%. O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou em entrevista à CNBC que a medida substitui as tarifas temporárias de 10% aplicadas anteriormente pelo presidente Donald Trump, após derrubada pela Suprema Corte.

Segundo Greer, a iniciativa visa coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, prática que, segundo autoridades norte-americanas, não é regulamentada ou fiscalizada de forma adequada na maioria dos países exportadores. O anúncio deve impactar exportações brasileiras, exigindo ajustes por parte de empresas e setores econômicos.

O governo brasileiro já sofreu outras medidas tarifárias de Trump, incluindo sobretaxas de 25% sobre uma série de produtos e 50% para o Canadá, embora tenham sido incluídas diversas exceções, como carnes, café, petróleo e aeronaves. Autoridades americanas reforçam que as tarifas devem ser aplicadas com cautela para não comprometer acordos comerciais e a estabilidade das relações internacionais.

O Financial Times destacou que a política tarifária coincide com tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã, elevando riscos para o mercado de energia e pressionando preços de combustíveis, que chegaram a US$ 4 por galão nesta semana. Consultores de mercado apontam que preocupações com o poder de compra e fatores políticos influenciam a decisão sobre a extensão das tarifas.

A apuração sobre práticas de trabalho forçado nos EUA começou em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre os países investigados estão União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia. O Brasil figura na lista como potencial alvo de alíquota máxima de 12,5%.

A medida deve obrigar o governo brasileiro a reforçar ações de diversificação de mercados e apoio a setores exportadores, incluindo indústria, agropecuária e manufaturas, para reduzir o impacto econômico e proteger empregos.