Ministério Público abre investigação contra influenciador por discurso de ódio contra pobres

Ação proposta pelo MP de São Paulo aponta que publicações de Leonardo Marcondes incentivam discriminação contra pessoas em situação de vulnerabilidade e pede remoção do perfil, indenização e restrições judiciais

Ministério Público abre investigação contra influenciador por discurso de ódio contra pobres

O Ministério Público de São Paulo ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes após considerar que vídeos publicados em suas redes sociais promovem discriminação contra pessoas de baixa renda. A ação foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital e também inclui a Meta, empresa responsável pelo Instagram.

Segundo o MP, as declarações feitas pelo influenciador extrapolam o direito à livre manifestação e configuram discurso de ódio ao defender que cidadãos pobres não deveriam participar das eleições por meio do voto. Para os promotores, o conteúdo reforça preconceitos e estimula a exclusão de um grupo social protegido pelos princípios constitucionais da igualdade e da cidadania.

Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como Léo Marcondes, reúne cerca de 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Ex-jogador profissional de vôlei, ele atua atualmente no segmento de educação financeira, comercializando cursos, mentorias e programas voltados ao empreendedorismo.

A investigação tem como base um vídeo publicado em dezembro de 2025. Na gravação, o influenciador afirma que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto por, segundo sua argumentação, não demonstrarem capacidade para tomar decisões importantes. A declaração também associa a condição econômica à falta de responsabilidade individual.

Para o promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pela ação, esse tipo de manifestação caracteriza aporofobia, termo utilizado para definir preconceito e hostilidade dirigidos contra pessoas em situação de pobreza. O Ministério Público sustenta que o conteúdo atribui incapacidade política a cidadãos em razão de sua condição econômica, reforçando estigmas incompatíveis com os direitos fundamentais garantidos pela Constituição.

Ministério Público pede remoção do perfil e indenização

Na ação apresentada à Justiça paulista, o MP solicita que o perfil do influenciador seja retirado do ar, além da proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas pobres.

Os promotores também requerem a condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, valor que poderá ser destinado a políticas públicas voltadas à promoção dos direitos humanos, caso o pedido seja acolhido pelo Judiciário.

Defesa afirma que ainda não teve acesso ao processo

Em nota divulgada por sua assessoria, Leonardo Marcondes informou que, até o momento, não foi oficialmente citado pela Justiça e que desconhece o teor completo da ação.

Segundo o posicionamento encaminhado à imprensa, a defesa afirma que somente após ter acesso aos autos poderá apresentar manifestação detalhada sobre o caso, acrescentando que permanece à disposição para prestar esclarecimentos.