Militarização do governo foi um dos principais erros do pai, diz Carlos Bolsonaro

O vereador e pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (PL-SC) afirmou que a presença elevada de militares em cargos do governo federal foi um dos principais erros da gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante uma agenda política em Santa Catarina e voltou a circular nas redes sociais após a divulgação de um trecho da fala.
Segundo Carlos, a aproximação de Jair Bolsonaro com integrantes das Forças Armadas ocorreu principalmente pela falta de uma estrutura política mais ampla durante a formação do governo. Para ele, a escolha de muitos militares para funções civis acabou sendo um problema na condução da administração federal.
“Não tinha ninguém que ele conhecia que não fosse das Forças Armadas”, afirmou Carlos ao comentar a composição do governo do pai. Na avaliação dele, a presença de militares em diferentes áreas do Executivo foi consequência de uma dificuldade inicial de encontrar nomes de confiança fora desse grupo.
Durante a fala, Carlos disse acreditar que o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adotará uma estratégia diferente caso avance em sua candidatura presidencial, priorizando pessoas com perfil técnico e conhecimento específico para as áreas de governo.
A participação de militares em cargos civis durante o governo Jair Bolsonaro foi um dos temas mais debatidos da administração. Levantamentos apontaram aumento significativo da presença de integrantes das Forças Armadas em funções comissionadas e estratégicas do Executivo federal.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicaram que o número de militares ocupando cargos civis na administração federal cresceu ao longo dos anos anteriores e durante o governo Bolsonaro, alcançando áreas como Saúde, Economia e Meio Ambiente.
Durante a pandemia de Covid-19, a presença militar no governo ganhou ainda mais destaque com a nomeação do general Eduardo Pazuello para o Ministério da Saúde. A escolha foi alvo de críticas de setores da oposição e também gerou debates sobre o papel das Forças Armadas na gestão pública.
As declarações de Carlos Bolsonaro ocorrem em meio à reorganização das forças políticas ligadas ao bolsonarismo para as eleições de 2026, com diferentes integrantes do grupo discutindo estratégias, alianças e a formação de futuras equipes de governo.