
Governador de São Paulo cumpre agenda internacional enquanto aliados cobram maior engajamento na pré-campanha presidencial
A ausência do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no ato “Acorda Brasil”, realizado na Avenida Paulista, provocou ruído entre apoiadores do ex-presidente e reacendeu questionamentos sobre o grau de envolvimento das principais lideranças da direita na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto.
A manifestação reuniu milhares de pessoas no centro de São Paulo, mas a ausência de dois nomes considerados estratégicos para qualquer projeto nacional foi percebida por aliados e adversários. Durante o evento, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que Tarcísio não compareceu por compromissos previamente assumidos e que o governador enviava cumprimentos aos participantes.
De acordo com o governo paulista, Tarcísio cumpre agenda oficial na Alemanha, principal parceiro comercial europeu do estado. A missão inclui reuniões com representantes do setor de transporte intermodal, iniciativas ligadas ao hidrogênio verde, participação em fórum internacional sobre regulação e visita a um centro de tecnologia avançada. A justificativa oficial destaca o esforço para ampliar investimentos, fortalecer a cooperação internacional e impulsionar inovação e transição energética em São Paulo.
Nos bastidores, entretanto, a leitura política foi inevitável. Parte do grupo bolsonarista interpreta a ausência como sinal de cautela do governador diante da disputa presidencial que se desenha. Tarcísio tem adotado postura institucional e foco administrativo, buscando consolidar uma imagem de gestor técnico e moderado, perfil que dialoga com o eleitorado de centro e com setores produtivos.
Michelle Bolsonaro também não compareceu ao ato e não apresentou justificativa pública. Ao final da manifestação, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu aplausos à ex-primeira-dama e mencionou o momento delicado vivido por sua família. A ausência alimentou comentários sobre o nível de mobilização das principais lideranças em torno do projeto presidencial de Flávio.
Dias antes do ato, Tarcísio e Flávio haviam se reunido e divulgado imagem conjunta nas redes sociais, gesto interpretado como sinal de alinhamento político. Ainda assim, a falta no evento público ampliou a percepção de que o apoio do governador pode se dar em moldes distintos dos esperados por alas mais ideológicas.
Recentemente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (PL), reconheceu que o sucesso eleitoral de Flávio dependerá da união de forças dentro do campo conservador. A movimentação evidencia o desafio de consolidar um projeto competitivo sem dispersar apoio e sem afastar o eleitor moderado, cada vez mais decisivo no cenário nacional.