
Em entrevista à TV Jornal Cidade Online, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) fez duras críticas às pressões políticas sobre o Banco Central no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. O parlamentar defendeu que o episódio destacou a importância da autonomia do Banco Central, uma de suas bandeiras políticas desde sua campanha ao Senado.
Segundo Plínio, as tentativas de interferência por parte de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU), que tentou questionar a condução da liquidação do Banco Master, foram indevidas e não prosperaram. O senador ressaltou que essas movimentações fazem parte de um cenário mais amplo de “vale tudo” envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, também tem se intrometido nas atribuições dos outros Poderes.
“Essa pressão monstruosa do TCU e de outros setores em cima do Banco Central acabou fortalecendo a instituição, que, com sua autonomia, não cedeu a essas investidas”, afirmou. Para o senador, a autonomia operacional do Banco Central, que ele ajudou a implementar por meio de uma lei aprovada durante seu mandato no Senado, foi essencial para que a instituição mantivesse sua independência frente a pressões políticas.
Plínio Valério ainda destacou a importância do Banco Central no controle da inflação e da estabilidade financeira, afirmando que, sem a autonomia, a instituição poderia ser vulnerável a decisões políticas, como as relacionadas à taxa de juros e à fiscalização bancária.
Críticas ao STF e questionamentos éticos
Durante a entrevista, o senador também comentou a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar o pedido de investigação sobre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que mantiveram um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Para Plínio, apesar de não haver ilegalidade comprovada, a situação levanta questões éticas, citando a Lei do Impeachment, que permite o impedimento de ministros que atuem em causas com interesse pessoal.
O senador criticou o que chamou de concentração de poder no STF, onde ministros estariam se envolvendo em processos de interesse direto, e afirmou que isso tem influenciado outros órgãos, como o TCU, a extrapolarem suas atribuições.
Plínio também destacou o que vê como uma “pirâmide invertida” na relação entre os Poderes, com o STF usurpando prerrogativas do Legislativo e interferindo no Executivo. Segundo ele, essa interferência foi a causa do fracasso do TCU ao tentar se meter nas questões do sistema bancário nacional.
Ao final, o senador reforçou sua visão de que o Banco Central sai fortalecido desse episódio, enquanto o TCU “fracassou na tentativa de imitar o Supremo Tribunal Federal”.