Floriano Pesaro: “Brasil: entre recursos e estratégia, as cinco agendas do futuro”

Floriano Pesaro destaca a necessidade de um projeto integrado de país e defende que o Brasil só se tornará potência quando alinhar suas agendas estratégicas.

Floriano Pesaro: “Brasil: entre recursos e estratégia, as cinco agendas do futuro”

O Brasil é um país com imenso potencial. Com vasto território, população, biodiversidade, recursos hídricos e capacidade de gerar energia, o país possui ativos estratégicos que o colocam entre as grandes nações do mundo. Contudo, a grande questão que ainda paira sobre o futuro do Brasil é: por que, apesar de todos esses recursos, o país ainda não se consolidou como uma verdadeira potência global?

A resposta, segundo Floriano Pesaro, não está na falta de recursos, mas na ausência de um projeto claro e coordenado para transformar esses ativos em poder duradouro. Ter abundância de recursos naturais não é suficiente para garantir influência global. O Brasil ainda carece de uma estratégia que una todos esses ativos para moldar sua presença no cenário internacional e se posicionar como uma nação autônoma e influente.

Pesaro destaca que, ao longo da história, o Brasil teve momentos de avanço, mas também desperdiçou oportunidades. A ausência de uma coordenação eficiente do Estado, somada a fases de improvisação e fragmentação política, dificultou a construção de uma estratégia coesa para o desenvolvimento do país. O período Bolsonaro, em particular, representou uma regressão importante, com o Brasil perdendo relevância diplomática e se afastando de alianças estratégicas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a colaboração do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), tem trabalhado para reconstruir a credibilidade do Brasil, recuperar canais diplomáticos e posicionar o país novamente nas grandes discussões internacionais. Pesaro reconhece esses avanços, mas argumenta que, para que o Brasil se torne uma verdadeira potência, é necessário ir além da restauração da imagem externa e transformar o potencial do país em um projeto estratégico de longo prazo.

Ele propõe que o Brasil deve alinhar cinco grandes agendas: a agenda ambiental, que envolve a preservação da Amazônia e o enfrentamento das mudanças climáticas; a agenda econômica, com foco em aumento de produtividade, finanças públicas estáveis e infraestrutura de qualidade; a agenda industrial, voltada para inovação, pesquisa e desenvolvimento; a agenda agrícola, que deve garantir a segurança alimentar e uma agricultura sustentável; e, por fim, a agenda de segurança identitária, que se refere à coesão social, legitimidade democrática e capacidade do Estado em promover políticas públicas eficazes.

Pesaro sublinha que, para que o Brasil se torne uma potência verdadeira, não basta ter políticas setoriais dispersas. É preciso integrar essas agendas de forma coesa e estratégica, coordenando as ações do Estado, da economia e da sociedade de maneira que o país consiga transformar seus recursos em poder de longo prazo. Ele enfatiza que a verdadeira potência de uma nação não está no tamanho do seu território ou na riqueza de seus recursos naturais, mas na capacidade de decidir seu próprio destino, influenciar decisões globais e sustentar sua posição ao longo do tempo.

Enquanto o Brasil se reconstrói politicamente, Pesaro alerta que é preciso ser mais ambicioso. O país tem os ativos, tem as condições históricas, mas o que falta é uma visão estratégica integrada que permita transformar essas vantagens em poder real e sustentável. O futuro do Brasil, para ele, depende de nossa capacidade de organizar, decidir e sustentar um projeto nacional sólido.