Caiado e Zema articulam chapa conjunta para a presidência

Pré-candidatos do PSD e do Novo discutem união já no primeiro turno, com possibilidade de chapa conjunta, mas decisão só deve ocorrer próximo ao prazo final da Justiça Eleitoral

Caiado e Zema articulam chapa conjunta para a presidência

Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos pré-candidatos à Presidência da República, se reuniram nesta terça-feira (26) em São Paulo para discutir uma eventual aliança no primeiro turno da eleição de outubro. O encontro aconteceu no escritório de campanha de Caiado e marcou o início de conversas sobre cooperação política entre os dois nomes da direita, que buscam ampliar suas chances diante do favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em entrevista à rádio Nova Difusora nesta quarta-feira (27), Caiado afirmou que as conversas estão em estágio inicial e destacou a abertura de Zema para negociar. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, disse o pré-candidato do PSD, indicando que a definição depende de condições estratégicas e do momento das convenções partidárias.

Zema, por sua vez, reforçou que o desfecho da aliança será definido no limite do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, em 15 de agosto, para registro de chapas. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, declarou durante evento com agentes do mercado financeiro.

O entorno político dos dois candidatos avalia que uma união, caso se concretize, só será anunciada próximo às convenções. Caiado ressaltou que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema ainda estão atrás nas pesquisas em relação a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas que a cooperação poderia fortalecer a posição da direita já no primeiro turno ou, ao menos, consolidar a força no segundo turno.

Zema, que também manteve diálogo com Flávio Bolsonaro antes do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, criticou a conduta do senador. “Foi dito para nós que ele não tinha envolvimento com o banqueiro bandido [Vorcaro]. Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que fomos”, afirmou, acrescentando que a popularidade de Flávio sofreu impacto nas pesquisas recentes.

O ex-governador mineiro também comentou sobre o Bolsa Família, tema recorrente em sua campanha: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando com bicos eventuais, não tá escrito”, declarou, reforçando seu posicionamento crítico a distorções no programa social. Apesar das críticas, Zema afirmou que poderia apoiar Flávio em um eventual segundo turno contra um candidato de esquerda, reafirmando seu compromisso com a união do campo opositor ao PT.