Com ataques a Lula e ao STF, Aldo Rebelo se lança à presidência pelo Democracia Cristã

Com ataques a Lula e ao STF, Aldo Rebelo se lança à presidência pelo Democracia Cristã
Ex-ministro rompe de vez com o PT, critica órgãos ambientais, defende anistia ampla e aposta em discurso de ruptura institucional para 2026

O ex-ministro Aldo Rebelo anunciou que será candidato à Presidência da República em 2026 pelo Democracia Cristã. A entrada na disputa marca mais uma virada em sua trajetória política e consolida um discurso frontalmente crítico ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal e à atuação de órgãos ligados às agendas ambiental e indígena.

Rebelo afirma que o País vive um cenário de paralisia institucional e atribui esse quadro à ação combinada de entidades como Ibama, Funai, Ministério do Meio Ambiente e Ministério dos Povos Indígenas. Segundo ele, essas estruturas funcionariam como entraves ao desenvolvimento nacional, com a anuência do próprio presidente da República. Para o ex-ministro, ou o governo remove esses obstáculos ou o Brasil seguirá sem avançar.

Como plataforma, Rebelo apresenta o que chama de programa dos “4Rs”: retomada do crescimento econômico, redução das desigualdades sociais, revalorização da democracia e reconstrução da agenda de defesa nacional. Em seu diagnóstico, o País deixou de explorar plenamente três eixos estratégicos do desenvolvimento: a agroindústria, a energia e a mineração, hoje, segundo ele, “imobilizados” por decisões políticas e jurídicas.

A candidatura também simboliza o rompimento definitivo com o campo político que o projetou nacionalmente. Rebelo foi ministro em diferentes governos petistas, presidiu a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007 e ocupou pastas estratégicas nos governos Lula e Dilma Rousseff. Após deixar o PCdoB em 2017, legenda na qual militou por quatro décadas, passou por PSB, Solidariedade, PDT e MDB, partido do qual se desfiliou recentemente.

Nos últimos anos, seu discurso se afastou da esquerda tradicional e passou a dialogar com setores conservadores. Em 2024, integrou a gestão do prefeito Ricardo Nunes como secretário municipal de Relações Internacionais. Também recebeu elogios públicos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou a mencioná-lo como possível ministro em uma eventual nova gestão.

Ao criticar o atual governo, Rebelo afirma que Lula não exerce autoridade plena e estaria “refém” do STF. Para ele, o Executivo perdeu força política, o Congresso avançou sobre atribuições do governo por meio do orçamento e o Judiciário extrapolou seus limites constitucionais. Na sua avaliação, o País vive um desequilíbrio entre os Poderes e precisa “reunir o poder blindado” para recuperar governabilidade.

Nesse contexto, o ex-ministro defende uma anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas e à própria cúpula política associada a esses episódios. Segundo Rebelo, a pacificação nacional passaria pelo esquecimento institucional dos conflitos recentes, permitindo que o País concentre esforços em agendas estruturais de longo prazo.

A candidatura pelo Democracia Cristã também representa uma mudança simbólica no partido, que não lança um novo nome à Presidência desde 1998. Com a saída de José Maria Eymael da direção da legenda, Rebelo assume o protagonismo e aposta em um discurso de ruptura com o atual arranjo político, institucional e econômico do País, buscando se apresentar como alternativa fora do eixo tradicional do poder.