
A confiança da população brasileira no Supremo Tribunal Federal voltou a registrar queda e, pela primeira vez, o número de cidadãos que afirmam não confiar na Corte supera o dos que dizem confiar. É o que mostra levantamento divulgado nesta semana pelo instituto Genial/Quaest.
De acordo com a pesquisa, 49% dos entrevistados declararam não confiar no STF, enquanto 43% afirmaram ter confiança na atuação do tribunal. O resultado representa uma queda de sete pontos percentuais na confiança desde agosto de 2025, quando metade dos entrevistados dizia confiar na Corte.
O levantamento foi realizado em meio à repercussão nacional das investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao caso do Banco Master. O episódio acabou ampliando o debate público sobre a atuação de instituições do sistema político e do Judiciário.
Além da redução no índice de confiança, a pesquisa revelou que uma ampla maioria dos brasileiros considera que o Supremo concentra poder excessivo. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmaram acreditar que o tribunal possui mais poder do que deveria dentro da estrutura institucional do país.
Outro dado que chama atenção diz respeito ao debate político em torno do Senado Federal. O estudo aponta que 66% dos entrevistados consideram importante votar em candidatos ao Senado comprometidos com a possibilidade de impeachment de ministros da Corte, mecanismo previsto na Constituição e cuja análise cabe à Câmara Alta do Congresso Nacional.
A pesquisa também avaliou o impacto político das investigações relacionadas ao Banco Master. A maioria dos entrevistados disse estar ciente da prisão do empresário Daniel Vorcaro, episódio que teve ampla repercussão nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, 40% afirmaram que o escândalo prejudica a imagem das instituições públicas de forma geral.
Quando questionados sobre possíveis impactos eleitorais, 38% disseram que evitariam votar em candidatos associados ao caso, enquanto 29% afirmaram que o tema poderia influenciar sua decisão na urna. Uma parcela menor, de 20%, declarou que o escândalo não teria peso relevante na escolha do voto.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 6 e 9 de março em diferentes regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os números revelam um momento de forte debate público sobre o papel das instituições no Brasil e sobre o equilíbrio entre os Poderes, tema que tem ganhado espaço crescente no cenário político nacional.