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Economia

Coreia do Sul rejeita pressão de Trump e descarta envio de tropas ao Oriente Médio

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de setembro de 2026 às 17:42 3 min de leitura
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Coreia do Sul rejeita pressão de Trump e descarta envio de tropas ao Oriente Médio

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung (Partido Democrático), descartou nesta sexta-feira (18) o envio de tropas ou recursos militares que possam envolver o país diretamente na guerra entre Estados Unidos e Irã. A declaração representa uma resposta à pressão do governo de Donald Trump para que aliados ampliem o apoio à operação no Oriente Médio.

Em entrevista coletiva em Seul, Lee afirmou que a posição do governo sul-coreano é não participar do conflito. Segundo o presidente, não haverá envio de militares que implique envolvimento direto ou intervenção na guerra.

A decisão ocorre enquanto Washington cobra maior participação de seus aliados. Trump criticou publicamente o apoio considerado insuficiente da Coreia do Sul à ofensiva contra o Irã e, paralelamente, os Estados Unidos reduziram neste verão exercícios militares conjuntos de grande porte com as forças sul-coreanas.

Apesar de rejeitar uma participação militar no conflito, Seul não pretende ignorar os riscos para seus interesses econômicos e para seus cidadãos. Lee afirmou que o governo avalia medidas para proteger embarcações comerciais sul-coreanas, rotas utilizadas no transporte de petróleo e cidadãos que estejam na região.

O ponto de atenção é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio mundial de petróleo. A Coreia do Sul já mantém uma unidade naval na região próxima à Somália, originalmente destinada a operações contra a pirataria, e estuda ampliar sua atuação para proteger seus próprios interesses marítimos.

A diferença estabelecida pelo governo sul-coreano é entre proteger suas embarcações e participar das hostilidades. Lee afirmou que Seul poderá adotar o nível mínimo necessário de atuação para garantir a segurança de seus navios, cargas e cidadãos, mas sem transformar essa presença em participação na guerra.

A possibilidade de uma missão no Estreito de Ormuz vinha sendo discutida pelo governo sul-coreano e provocou resistência dentro do próprio país. Nas últimas semanas, manifestações foram realizadas em Seul contra uma eventual participação militar sul-coreana no conflito.

A decisão também ocorre em meio a negociações comerciais delicadas entre Seul e Washington. A Coreia do Sul assumiu o compromisso de investir US$ 350 bilhões na indústria americana em troca da redução de tarifas sobre produtos sul-coreanos para 15%. Lee afirmou que ainda existem pontos de difícil aceitação para o governo, especialmente relacionados à viabilidade comercial dos investimentos.

Mesmo diante das divergências com Washington, o governo sul-coreano mantém a coordenação com os Estados Unidos em outros temas estratégicos. Lee afirmou que Seul trabalha para facilitar uma eventual retomada do diálogo entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

A postura adotada por Seul deixa clara uma distinção entre a aliança militar com Washington e a participação em conflitos fora da península coreana. Ao mesmo tempo em que preserva a cooperação com os Estados Unidos, o governo sul-coreano estabelece limites para o emprego de suas forças armadas no Oriente Médio.