Política com conteúdo. Centro com clareza.
domingo, 13 de setembro
Assinar
Agora
Carioca candidato ao Senado por Roraima, Hélio é proibido pela justiça de usar o sobrenome BolsonaroTRE rejeita registro de Garotinho para disputar o governo do RJCleitinho reúne cerca de 100 prefeitos em BH e pede apoio para “virar voto”Produtora de “Dark Horse” usou emendas em projetos fraudulentos, aponta PFFabio lidera com 41,3% e Valmir 34,2% para o governo de Sergipe, diz pesquisa
Economia

Crise dos Correios se agrava e trabalhadores entram em greve em todo o país

Por Brasil no Centro Publicado em 11 de setembro de 2026 às 13:46 4 min de leitura
Compartilhar
Crise dos Correios se agrava e trabalhadores entram em greve em todo o país

Os trabalhadores dos Correios iniciam nesta sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado em diferentes regiões do país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), depois que as negociações para a renovação do acordo coletivo terminaram sem consenso entre a empresa e as entidades que representam os funcionários.

A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) informou que a decisão representa uma nova etapa da campanha salarial. Segundo a entidade, uma das principais divergências está relacionada ao plano de saúde dos empregados, diante da intenção da direção da estatal de promover mudanças no benefício.

As negociações passaram por sucessivas rodadas de discussão e também por tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Para a representação dos trabalhadores, entretanto, não foi possível chegar a um entendimento sobre os pontos considerados prioritários pela categoria.

Os Correios afirmaram que estão preparados para minimizar os efeitos da paralisação. A estatal colocou em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios, que prevê o remanejamento de equipes, o reforço de atividades operacionais e medidas específicas para preservar o fluxo de entregas e os demais serviços postais.

A empresa também informou que apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo atualmente em vigor. Entre as medidas apresentadas estão a aplicação integral do INPC sobre salários e benefícios, com validade a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.

O movimento ocorre em um momento particularmente delicado para os Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 5,6 bilhões somente nos seis primeiros meses de 2026.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado entre abril e junho foi inferior ao dos dois trimestres anteriores. O desempenho ainda assim mantém a empresa sob forte pressão financeira e em busca de medidas para recompor o caixa e reduzir despesas.

Nesse cenário, os Correios aguardam a contratação de um novo financiamento de R$ 7 bilhões, operação que deverá ser realizada por um consórcio de instituições financeiras. A expectativa é que os recursos sejam liberados até 15 de setembro.

A operação segue o modelo adotado no fim de 2025, quando a empresa contratou R$ 12 bilhões em financiamento com bancos. Desta vez, o grupo deverá contar com instituições estrangeiras como Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul.

O novo empréstimo já havia sido registrado nas demonstrações financeiras da estatal referentes ao primeiro semestre. A necessidade de recorrer novamente ao mercado financeiro evidencia a dimensão dos desafios enfrentados pelos Correios para recuperar sua capacidade operacional e financeira.

A paralisação aprovada pelas entidades sindicais alcança uma ampla parcela do território nacional, com adesão anunciada em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Amazonas e Distrito Federal, entre outras regiões.

A extensão dos impactos sobre o atendimento e as entregas deverá depender da adesão dos trabalhadores em cada localidade. Os Correios afirmam que as medidas previstas no plano de continuidade têm justamente o objetivo de reduzir eventuais atrasos e preservar a prestação dos serviços à população.

Enquanto os trabalhadores pressionam por avanços nas negociações, a estatal enfrenta o desafio de equilibrar as reivindicações da categoria com uma situação financeira marcada por sucessivos prejuízos e pela necessidade de novos recursos para manter suas operações.