Diesel sobe para R$ 7,13 e atinge maior preço desde maio no Brasil

O preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros chegou a R$ 7,13 por litro nesta semana, uma alta de 2,3% em relação ao período anterior. O valor é o maior registrado desde o fim de maio, segundo o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualizado nesta sexta-feira (18)
A alta ocorre em um momento de pressão sobre o mercado internacional de petróleo. O avanço das cotações tem reflexos sobre os combustíveis no Brasil, especialmente em um período de maior consumo de diesel no setor produtivo. O início do plantio de soja aumenta a demanda pelo combustível utilizado em máquinas agrícolas, caminhões e na logística de transporte da produção.
O cenário externo também elevou a diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e as referências internacionais. Com a valorização do petróleo e de seus derivados, importadores passaram a enfrentar condições menos favoráveis para trazer combustível ao país, aumentando a preocupação do setor com eventuais restrições localizadas de oferta.
A situação ganhou atenção adicional porque o Brasil depende de importações para complementar o abastecimento interno. Cerca de 30% do diesel consumido no país vem do exterior, segundo dados citados pelo setor.
A Petrobras adotou, nos últimos meses, mecanismos para reduzir a transmissão imediata das oscilações internacionais aos preços domésticos. Na quarta-feira (16), a estatal informou que aplicaria um reajuste de R$ 1 por litro no preço de venda do diesel A às distribuidoras, acompanhado de um desconto do mesmo valor por meio da subvenção econômica criada pelo governo federal. Com isso, o preço efetivamente percebido pelas distribuidoras não seria alterado naquele momento.
A medida faz parte de um programa de subvenção econômica ao diesel criado pelo governo. A Petrobras já informou ter recebido cerca de R$ 9,5 bilhões acumulados em programas de subvenção relacionados a diesel, gasolina e GLP até setembro.
Mesmo com esses mecanismos, a pressão internacional continua sendo transmitida para diferentes etapas da cadeia de combustíveis. O preço final pago pelo consumidor depende de uma combinação de fatores, entre eles o custo do combustível na origem, importação, refino, transporte, distribuição, tributos e mistura de biocombustíveis.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa revendedores de combustíveis, afirmou acompanhar com preocupação os efeitos da instabilidade internacional sobre os preços e o abastecimento. A entidade defende que eventuais variações nas bombas sejam analisadas considerando toda a cadeia de formação de preços, e não apenas o valor praticado pelas distribuidoras ou pela Petrobras.
O comportamento do diesel também é relevante para a inflação. Como o combustível é amplamente utilizado no transporte rodoviário de cargas, aumentos persistentes podem elevar custos de frete e, posteriormente, pressionar preços de alimentos e outros produtos.
O momento também exige atenção do setor agropecuário. A elevação ocorre justamente quando produtores iniciam uma das principais etapas do calendário agrícola brasileiro, aumentando a necessidade de diesel para máquinas, transporte de insumos e escoamento da produção.
A ANP mantém acompanhamento semanal dos preços praticados nos postos e disponibiliza séries históricas nacionais, regionais, estaduais e municipais para acompanhamento da evolução dos combustíveis.