
No dia 17 de abril de 2016, há dez anos, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) foi admitido na Câmara dos Deputados, dando início a um processo que mudou a trajetória política do Brasil. Eduardo Cunha (PL), então presidente da Câmara, foi responsável por aceitar o pedido e conduzir o processo, o que culminou no afastamento de Dilma e na ascensão política do país para um novo cenário. Segundo o próprio Cunha, a decisão teve menos a ver com as “pedaladas fiscais”, como comumente se apontou, e mais com a execução de decretos orçamentários sem respaldo legal.
A partir daquele momento, o cenário político brasileiro sofreu um abalo. Cunha, ao lado de um crescente movimento político de direita, se tornou uma figura central na política nacional, sendo também um dos responsáveis pela ascensão de Jair Bolsonaro (PL), que se tornaria presidente do Brasil em 2018. O impeachment, de acordo com Cunha, não só tirou Dilma do poder, mas também criou um espaço para o fortalecimento de uma direita mais ideológica. No entanto, ele aponta que muitos dos personagens dessa nova direita, como influenciadores digitais e figuras em ascensão, pouco contribuíram para a queda do PT e, em vez disso, foram emergentes na política digital e midiática.
O ex-deputado, em sua análise, também menciona os impactos diretos do impeachment. Ele lembra que, embora o impeachment tenha sido aceito em um momento de crise econômica e insatisfação popular, a inabilidade do governo de Dilma, somada a ações externas e interna de figuras como o ex-procurador-geral da República e o então juiz Sérgio Moro, teve um papel crucial no desenrolar dos acontecimentos, incluindo a decisão que impediu o retorno de Lula (PT) nas eleições de 2018. Segundo Cunha, se as condições políticas tivessem sido outras, o PT poderia ter sido derrotado nas urnas.
O episódio do impeachment de Dilma, que também permitiu a ascensão de novos políticos e movimentos, foi mais um marco na instabilidade institucional do Brasil, que, na visão de Cunha, ainda sofre com os desafios do sistema presidencialista e a necessidade de ajustes constitucionais. O ex-deputado acredita que a instabilidade gerada por esse sistema continua a ser uma das principais causas da crise política vivida pelo país.