Esquerda perde Pacheco e vê candidatura de Silveira subir no muro em Minas

O tabuleiro eleitoral de Minas Gerais entrou em ebulição após o senador Rodrigo Pacheco comunicar que não pretende disputar nenhum cargo em 2026. A decisão caiu como uma bomba no núcleo político do presidente Lula e provocou uma onda de incertezas sobre o futuro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apontado como possível plano B da esquerda no estado.
Silveira participou de agenda oficial em Belo Horizonte nesta segunda feira e foi pressionado sobre o próprio destino político. Apesar de ser citado desde o início do ano como alternativa para o governo mineiro ou para repetir a disputa ao Senado, o ministro admitiu que ainda não sabe se deixará a pasta em abril, prazo final para quem pretende concorrer.
Segundo Silveira, a palavra final caberá ao presidente Lula. O ministro afirmou que atuará onde o presidente considerar mais estratégico, seja permanecendo no comando da pasta, seja disputando o Senado ou qualquer outra posição. Disse ainda que o momento é de concentrar esforços na economia nacional e no papel de Minas e Energia no desenvolvimento do país e que somente a partir de março, por orientação de Lula, será possível tratar de política partidária.
A indefinição do ministro ocorre em meio a um cenário cada vez mais complexo para o PT em Minas. Com a desistência de Pacheco, Lula perde seu nome favorito para a disputa ao governo e vê diminuir drasticamente o leque de opções com viabilidade. Pacheco participou de diversas agendas ao lado do presidente ao longo do ano e chegou a ser publicamente pressionado por integrantes do governo a entrar na corrida estadual.
Sem ele, o PT se vê obrigado a reavaliar a estratégia. Uma das alternativas em análise é apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que já lançou pré-candidatura e tenta se posicionar como representante do campo de centro. Kalil se reunirá nesta semana com o comando nacional do PT para discutir possíveis composições.
Outra possibilidade é lançar um nome petista mesmo diante da avaliação interna de que nenhum quadro teria hoje reais condições de vencer. Seria, nas palavras de dirigentes, uma candidatura de sacrifício para evitar que o partido fique fora da disputa.
Enquanto isso, Alexandre Silveira permanece em cima do muro, evitando confirmar se será candidato e aguardando a decisão de Lula. A única certeza no momento é a mesma que se espalhou pelas rodas políticas de Belo Horizonte desde o anúncio de Pacheco. A esquerda mineira entrou em campo com menos peças do que imaginava e agora precisa refazer todo o jogo.