
O ex-ministro Aldo Rebelo e o estrategista político Fábio Wajngarten estão em tratativas para formar uma chapa presidencial em 2026 que seus articuladores definem como uma aliança nacional-conservadora. A ideia em discussão prevê Wajngarten como vice de Aldo, que já se lançou pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo Democracia Cristã.
A proposta ganhou força no fim de 2025, quando empresários e aliados sugeriram a Aldo a composição com um nome capaz de dialogar diretamente com a direita conservadora e com o campo bolsonarista. Segundo interlocutores, Aldo recebeu bem a sugestão e procurou Wajngarten, que também demonstrou entusiasmo com a possibilidade. Para integrar a chapa, o ex-secretário de Comunicação precisaria se filiar à Democracia Cristã até o início de abril.
O desenho político da aliança busca combinar o nacionalismo desenvolvimentista de Aldo Rebelo, que passou décadas no PCdoB e ocupou ministérios estratégicos nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, com a capilaridade de Wajngarten na direita, especialmente junto a setores da mídia, do mercado publicitário e do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, a estratégia é ampliar o número de candidaturas de oposição a Lula no primeiro turno, criando alternativas fora da polarização clássica PT versus bolsonarismo. A expectativa do grupo é que, no segundo turno, essas forças possam convergir contra o atual presidente, caso o cenário se confirme.
Aldo Rebelo foi presidente da Câmara dos Deputados e comandou pastas como Defesa, Ciência e Tecnologia, Esporte e Relações Institucionais. Nos últimos anos, afastou-se da esquerda tradicional e passou a defender um discurso crítico ao identitarismo e mais próximo de pautas conservadoras no campo dos costumes. Wajngarten, por sua vez, consolidou-se como um dos mais leais assessores de Bolsonaro, atuando como advogado, conselheiro político e articulador de comunicação.
O lançamento oficial da pré-candidatura de Aldo está previsto, inicialmente, para 31 de janeiro, em São Paulo. Até lá, a possível dobradinha com Wajngarten deve seguir sendo testada politicamente, tanto entre conservadores quanto entre setores que buscam uma alternativa à polarização extrema.